Traumatologia e Ortopedia
Discussão de casos, questões e dúvidas em tratamentos, com dicas de prova para o TEOT.

 

 
Busca

 Fratura supracondiliana de úmero 
Fratura supracondiliana de úmero
Porção distal do braço ...

1.) EPIDEMIOLOGIA
- Pico entre 5 e 7 anos de idade, com idade média de 6,7 anos
- meninos 3:2 meninas
- esquerdo>direito
- compreende 55 a 75% de todas as fraturas do cotovelo em crianças

2.) FISIOPATOLOGIA
- Remodelamento ósseo entre 5 e 8 anos, com estreitamento do diâmetro Antero-posterior
- frouxidão ligamentar que predispõe a lesões por hiperextensão
- olecrano atua como fulcro, e devido à inserção capsular (proximal à fise e distal ao olecrano), ocorre um padrão regular de Fx
- periósteo permanece intacto no lado do desvio

3.) MECANISMO DE TRAUMA
- Queda com a mão espalmada e cotovelo totalmente extendido (98%): desvio posterior
- mão pronada: desvio póstero-medial (75%)
- mão supinada: desvio póstero-lateral
- tipo em flexão (2% dos casos)- trauma direto ou queda com o cotovelo fletido: desvio anterior

4.) QUADRO CLÍNICO
- Dor, edema, deformidade e ADM doloroso
- fratura associada mais comum: porção distal do rádio. Outras: escafóide e úmero proximal
5.) EXAME FÍSICO
- configuração em forma de S do cotovelo
- sinal da covinha: fragmento proximal penetrou no braquial e fáscia anterior do cotovelo
- sinal de Kirmisson: hematoma na fossa cubital
- avaliação neurovascular:
- integridade do radial, mediano (NIA) e ulnar: sensitiva e motora
- preenchimento capilar e pulsos (ausentes em até 12 a 15% dos pacientes)
- reexaminar após manipulação ou imobilização
- desvio medial: risco para o nervo radial
- desvio lateral: coloca em risco nervo mediano e artéria braquial (ancorada pelo ramo supratroclear)
- desvio anterior: nervo ulnar

5.) AVALIAÇÃO RADIOGRÁFICA
- Radiografia AP da porção distal do úmero
- radiografia lateral verdadeira com úmero mantido em posição anatômica
- incidências oblíquas quando suspeita de fraturas ocultas
- definir anatomia da fratura com ênfase:
- na impactação da coluna medial
- cominuição supracondilar
- divisão vertical do fragmento epifisário

6.) CLASSIFICAÇÃO
- Gartland:
- tipo I: não deslocada
- tipo II: deslocada com cortical posterior intacta
- tipo III: deslocada sem contato cortical

7.) DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS
- Fratura do côndilo lateral (17% das fraturas do cotovelo)
- epicôndilo medial (12,5%)
- fratura condilar em T e côndilo medial (<1%)
- luxação do cotovelo

8.) TRATAMENTO
- Tipo I:
- imobilização com tala posterior em flexão de 90°
- após 3 a 7 dias tiram-se novas radiografias a aplica-se gesso circular
- causa mais comum de cúbito varo é tratamento inadequado de fraturas tipo I e tipo II: diante de qualquer indício de extensão do fragmento distal a fratura deve ser reduzida com flexão do cotovelo a 120º e fixada com fios!
- período de imobilização em torno de 3 semanas quer sejam dos tipos I, II ou III
- não há necessidade de fisioterapia
- reavaliação em 2 e 4 semanas após retirada da imobilização
- tipo II:
- manobra de redução: tração, com correção da deformidade rotatória e pressão do polegar no olecrano e côndilos posteriores para corrigir extensão
- documentar redução com radiografias AP, lateral e incidências de Jones (cotovelo em hiperflexão)
- posicionar cotovelo em mais de 120º para manter redução numa fratura não fixada
- Rock prefere fixar com FK
- fixar fratura com dois fios laterais em caso de tumefação significativa, obliteração do pulso mediante flexão e lesões neurovasculares ou outras lesões
- imobiliza em menos de 90º se fratura fixada
- retirar fios em 3 a 4 semanas
- tipo III:
- se conseguir redução, imobilizar em cotovelo em mais de 120º numa Fx não fixada
- Rock prefere fixar com FK
- se comprometimento circulatório (ausência de pulso e palidez da mão) ou suspeita de síndrome do compartimento: redução e estabilização óssea imediatas
- técnica de redução: tração longitudinal, correção da translação medial ou lateral, flexão do cotovelo com pressão do polegar sobre olecrano e manutenção em hiperflexão e pronação para estabilizar redução
- fraturas com desvio póstero-lateral são instáveis em hiperflexão e mais ainda em pronação
- tipos de fixação:
- fios cruzados: insere primeiro o lateral
- dois fios laterais: menor estabilidade (30% menos resistente ao torque), mas sem risco de lesar nervo ulnar
- fixação intramedular
- tração: em caso de edema importante, lesão de partes moles ou cominuição excessiva
- indicações de redução aberta:
- interposição de tecido mole que impossibilita redução fechada (geralmente nos desvios póstero-laterais)
- comprometimento vascular ou encarceramento neural, evidenciado pela interposição de tecido mole
- fratura exposta
- vias de acesso:
- posterior: através do tríceps
- medial: para desvio póstero-lateral
- lateral: desvio póstero-medial
- anterior: se exposição ou iminência de exposição
- complicação mais freqüente da redução aberta: perda de ADM

9.) COMPLICAÇÕES
- Lesão vascular
- 10 a 20% dos pacientes com Gartland III apresentam-se com ausência de pulso
- arteriografia não faz parte da avaliação pré-operatória
- realizar imediata redução fechada e fixação com fios de Kirschner (TARO 2007)
- o pulso pode demorar até 15 minutos para voltar devido ao espasmo arterial
- se mantiver perfusão adequada mesmo na ausência de pulso, não há indicação de exploração (mão deve estar quente e com coloração rosa)
- Doppler pode detectar fluxo com pequena amplitude de pulso
- indicações de exploração:
- obliteração do pulso radial após redução fechada e fixação com fios
- insuficiência vascular persistente após redução e fixação com fios
- Síndrome compartimental:
- ocorre em 1% das fraturas
- tratamento inicial: retirada de todos os curativos circulares, cotovelo estendido e fixação da fratura
- técnica cirúrgica: via volar de Henry, com liberação das fáscias superficial e profunda e do túnel do carpo, deixando ferida aberta. Fechamento definitivo em 5 a 7 dias
- Déficit neurológico:
- presente em 10 a 20% das fraturas
- nervo interósseo anterior é o mais acometido
- direção do deslocamento determina nervo mais suscetível (vide exame físico)
- indicado redução fechada e fixação, com a recuperação do nervo ocorrendo até 2 meses e meio
- em caso de déficit neurológico prolongado, a causa mais comum é fibrose perineural
- exploração ou ENMG indicados após 6 meses (até lá só observa)
- indicação de redução aberta: fratura irredutível com déficit neurológico (nervo aprisionado)
- sinal de Metev: aspecto de orifício no osso provocado por encarceramento crônico de nervo no calo ósseo consolidado
- lesão iatrogênica do nervo ulnar em 1%
- Rigidez do cotovelo
- rara
- perda média de movimento nos tratamentos fechados: 4º e contratura em flexão residual de 4º
- nos pacientes com redução aberta: 6,5º e contratura em flexão de 5º
- Miosite ossificante
- muito raro
- relacionada a cirurgia aberta, fisioterapia ou manipulação vigorosa no pós-operatório
- Pseudartrose
- muito raro
- risco aumenta com infecção, desvascularização e perda de tecidos moles
- Necrose avascular
- raríssima
- não compromete função
- Deformidade angular
- cúbito varo
- tratamento com imobilização: 14%
- fixação cirúrgica: 3%
- conseqüência de consolidação viciosa e não interrupção de crescimento
- fatores responsáveis: deformidade no plano coronal e hiperextensão
- efeitos principalmente estéticos
- efeito funcional mínimo


Para baixar os arquivos de aulas e vídeos e ver as imagens explicativas, acesse os adicionais, clicando aqui.
Autor: marcio
Data: 24/2/2020, 10:45
Tipo do Texto: Trauma
Categoria: Pediátrica
Veja os adicionais: 2 - Escreva um comentário
Vistos: 22852

Pule para:   


 

A página foi atualizada para www.TraumatologiaeOrtopedia.com.br => plataforma mais moderna, com mais interação. Todos os artigos e arquivos foram renovados. Os usuários agora podem:
- Atualizar os artigos;
- Promover seus consultórios;
- Criar grupos privados para sua residência ou liga de medicina;
- Treinar com questões e avaliar sua performance;
- E muito mais, confira, participe e contribua.
Espero que continuem curtindo, do autor: Ortopedista Especialista em Joelho Dr. Márcio Silveira

 

Mapa do Site    FAQ    Crie um site como este

Copyright © 2012 - 2020 TraumatologiaeOrtopedia.com | Desenvolvido em phpBB

Busca: