Traumatologia e Ortopedia
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 Fraturas e luxações da mão 
Fraturas e luxações da mão
Metacarpos e falanges ...

I – FRATURAS DA FALANGE DISTAL :
Correspondem á mais de 50% das fraturas da mão sendo a falange distal do dedo médio a mais lesada. A maioria das fraturas são produzidas por esmagamento e classificam-se em :

- Longitudinais - Transversas - Cominutas( casca de ovo)
Tratamento :
A) Sem desvio ou cominuta: imobilização da art IFD com uma férula cobrindo volar e dorsalmente a falange distal por 03 á 04 semanas(proteção ).
B) Com desvio : pode ocorrer nas fraturas transversas e a conduta é redução e manutenção em tala externa ou c/ um fio de Kirschner liso

II – FRATURAS DA FALANGE MÉDIA E PROXIMAL :
As fraturas de falange média são as menos frequentes e as forças deformadoras são a tira central extensora (dorso) e o flexor superficial dos dedos (volar).

As fraturas da falange proximal apresentam deformidade em angulação volar devido á flexão do fragmento proximal pelos interósseos e hiperextensão do fragmento distal pelo tendão extensor que se insere na base da falange média

Tratamento :

A) Fraturas extra-articulares s/ desvio ou transversas impactadas alinhadas : fixação ao dedo vizinho e liberação para exercícios ativos de amplitude de movimento. Nas fraturas transversas da base de F1 imobiliza-se em flexão da MTF(90o) com uma tala dorsal até a art IFP, permitindo a flexão da MTF e IFP( método de Burkhalter)

B) Fraturas extra-articulares c/ desvio: o algoritmo abaixo é auto explicativo ressaltando apenas que nas fraturas oblíquas ou em espiral de F1 e nas fraturas do colo de F1 o tratamento exige sempre fixação interna . As fraturas cominutivas de F1 e F2 são melhor tratadas com fixador externo ou enxertia óssea primária retardada .



C) Fraturas intra articulares s/ desvio : fixação ao dedo vizinho e liberação p/ amplitude de movimentação precoce.Avaliação semanal p/ evitar que consolide em desviada.
D) Fraturas intra articulares c/ desvio: é necessária a reconstrução anatômica da superfície articular por RAFI. Nas fraturas cominutivas está indicado

III – FRATURAS DO METACARPO( EXCETO O POLEGAR) :
São divididas de acordo com a localização anatômica : cabeça, colo, diáfise e base .
- As fraturas do colo são deformadas em angulação dorsal pelos interósseos dorsais e palmares tornando-se instáveis.A fratura do colo do 5o é uma das mais comuns sendo conhecida como fratura do boxeador ou do brigão.
- As fraturas da cabeça são distais á inserção dos ligamentos colaterais dos metacarpos lembrando que eles ficam relaxados em extensão e retesados em flexão (devido á anatomia da cabeça do mtc – efeito “CAM” excêntrico). Portanto as art MTF jamais devem ser imobilizadas em extensão pois os ligamentos colaterais podem enrijecer e encurtar.

- As fraturas da diáfise são anguladas dorsalmente pelos músculos interósseos dorsais e palmares e quanto mais distante da art MTF estiver a fratura mais angulada estará.Observe que mínima angulação poderá ser aceita nas fraturas do 2o e 3o visto que a art CMC são mais rígidas que os outros dedos, portanto não há movimentação compensadora. Estas fraturas são divididas em 03 tipos : transversas , oblíquas e cominutivas .
- As fraturas da base são secundárias geralmente á um esmagamento e usualmente são estáveis porém não se aceita o menor desvio rotacional pois é amplificado na extremidade digital. Existem fraturas ocultas que podem ser identificadas pela incidência de Brewerton( AP c/ flexão dorsal do punho + ampola á 30o do lado ulnar ) .

Tratamento :
A) Fraturas da cabeça : se for intra-articular faz-se a redução fechada e fixação percutânea. Se for uma fratura cominutiva que impeça a RAFI realiza-se uma incidência sob tração manual e se ela mostrar um melhor alinhamento na superfície articular utiliza-se um fixador externo; caso não haja melhora neste alinhamento imobiliza-se por um curto período( para aliviar a dor) e em seguida inicia a movimentação ativa precoce( na tentativa de moldar a cominuição articular pela amplitude de movimento evitando uma limitação álgica da art mtf)
B) Fratura do colo e da cabeça extra-articular: as deformidades em flexão de 50º(5º qrd) e 30º(4º qrd) são aceitáveis devido á mobilidade compensatória da art CMC deste dedos. Como as art CMC do 2º e 3º mtc são mais fixas não se aceita deformidade do colo > 10 á 15º. Em desvios maiores realiza-se a redução fechada com fixação percutânea. A redução é feita pelo método de Jahss: art MTF á 90o + IFP á 90o ,realiza-se uma força na angulação dorsal e a base da falange proximal é usada para empurrar a cabeça do metacarpo(reduzindo-a).

C) Fratura da diáfise : o tratamento é direcionado para se evitar o encurtamento, angulação e desvio rotacional. Em fraturas transversas a RAFI está indicada quando a manipulação fechada e fixação percutânea não puder ser obtida. Nas fraturas oblíquas ou espirais o encurtamento é o mais comum(se não houver angulação é aceitável até 05 mm) portanto trata-se com imobilização externa. Um encurtamento maior que o aceitável está indicada a RAFI(parafusos interfragmentários) . Observe que o 3o e 4o MTC possui um encurtamento menor devido á contenção pelo ligamento metacárpico transverso profundo. Nas fraturas cominutivas estáveis s/ desvio são tratadas com imobilização externa (movimentação precoce dos dedos). Existem situações em que a fixação interna pode ser feita dependerá da experiencia do cirurgião ao analisar o Rx.
D) Fraturas da base : o tratamento é o mesmo para fraturas cominutivas da diáfise .

V – FRATURAS DO METACARPO DO POLEGAR :
A maioria das fraturas do metacarpo do polegar ocorrem na base ou proximo á ela sendo importante diferenciar as fraturas extra-articulares(mais comum) das intra-articulares.



VI - TRATAMENTO :
A) Fraturas intra-articulares : é necessário reduzir a superfície articular portanto iniciamente tenta-se a redução fechada c/ FP e se não conseguir faz-se a RAFI. Se for utilizado fios de Kirschner eles serão removidos com 04 á 06 semanas e em seguida encaminha-se para a fisioterapia .
B) Fraturas extra-articulares : podem ser oblíquas ou transversas( mais comum). Nas fraturas oblíquas realiza-se a redução fechada c/ FP e caso contrário opta-se pela RAFI. Nas fraturas transversas realiza-se a manipulação fechada (sob anestesia) com imobilização externa por 04 semanas.

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Author: Dublê
Date: 24/2/2020, 09:41
Tipo do Texto: Trauma
Category: Mão e microcirurgia
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