Traumatologia e Ortopedia
Discussão de casos, questões e dúvidas em tratamentos, com dicas de prova para o TEOT.

 

 
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 Marcha 
Marcha
normal ...

Fase de apoio ou de estação:
- periodo de duplo apoio
- periodo de apoio simples -> médio apoio
- peiodo de duplo apoio final



Fase de balanço ou de oscilação:
- periodo de balanço inicial
- periodo de médio balanço
- periodo de balanço final



Eventos:
- contato inicial do pé
- contato total do pé
- desprendimento do pé oposto
- médio apoio
- desprendimento do retropé
- contato inicial do pé oposto
- desprendimento


Corrida: substituição do duplo apoio por duplo balanço.
apoio: contato inicial, apoio médio, desprendimento
balanço: avanço, balanço anterior e descida do pé




Determinantes da marcha:
- rotação pélvica
- obliquidade pélvica
- flexão do joelho na fase de apoio
- mecanismos do tornozelo
- mecanismo do pé
- rolamento lateral do corpo


ESTUDO DA MARCHA

1 - Introdução:
O objetivo principal da locomoção humana é o translado do corpo de um lugar para outro através da marcha com os dois pés. o ato de caminhar é uma atividade dinâmica e repetitiva; ele ocorre com uma sequência rítmica definida de eventos que acontecem durante o ciclo da marcha. A marcha normal é relativamente fácil, realizada com um gasto mínimo de energia.
A marcha pode ser descrita com uma ação recíproca de perda e recuperação do equilíbrio, na qual o centro de gravidade do corpo muda constantemente.

2 – Conceitos:
Comprimento da passada – é a distância viajada na mesma extensão de tempo que o ciclo da marcha
Comprimento do passo – é a distância entre o calcâneo de um pé ao calcâneo do pé oposto durante a fase de apoio duplo.
Cadência – é o número de passos por minuto em uma mesma direção em centímetros por segundo.
Rotação angular – é a rotação da articulação em graus dividida pela porcentagem do ciclo da marcha.

3 - Ciclo da Marcha:
Um ciclo da marcha completo é o período entre a hora em que o calcâneo toca o solo e o próximo impacto do calcâneo do mesmo membro. O ciclo da marcha consiste de duas fases - apoio e balanço.
Fase de apoio - Nesta fase, o pé está em contato com o solo e o membro inferior está apoiando todo ou parte do peso do corpo. Esta fase começa quando o calcâneo toca o solo e termina quando os dedos desprendem-se do solo. Constituindo 60% do ciclo da marcha, ela é ainda subdividida em quatro períodos, por meio de cinco eventos conhecidos como incidentes críticos. Os períodos na fase são: o impacto do calcâneo, apoio médio, desprendimento e aceleração; os incidentes críticos são: o impacto do calcâneo, pé plano, o desprendimento do calcâneo, flexão do joelho e o desprendimento dos dedos.
O primeiro período (impacto do calcâneo) constitui 15% do ciclo da marcha; ele começa com o primeiro incidente crítico (impacto do calcâneo) e termina com o segundo incidente crítico (pé plano).
O segundo período (apoio médio) começa com o pé plano e termina com o terceiro incidente crítico (desprendimento do calcâneo). Durante este período, a pessoa está equilibrada sobre a perna de apoio; este período corresponde a 15% do ciclo da marcha.
O terceiro período (desprendimento) é iniciado pelo desprendimento do calcâneo e termina com a flexão do joelho, o quarto incidente crítico – durante os quais o quadril e o joelho se encontram fletidos, preparando o membro para a fase de balanço. Esse período constitui os 25% seguintes do ciclo da marcha.
O quarto e último período da fase de apoio é a aceleração; ele começa com a flexão do joelho e termina com o desprendimento dos dedos, o quinto incidente crítico marcando o final da fase de apoio. A duração da fase de aceleração é 5% do ciclo da marcha, e o seu término marca a conclusão dos 60% do ciclo da marcha.
Logo após a flexão do joelho, a perna contralateral completou a sua fase de balanço; seu pé está tocando o solo, preparando para transferir o peso do corpo para o novo membro de apoio. O período no qual ambos os membros estão no solo simultaneamente é conhecido como fase de suporte duplo (ou apoio duplo). Na marcha normal este período diminui com o aumento da velocidade da deambulação e desaparece durante a corrida.
Fase de balanço – Nesta fase, o pé não está tocando o solo, e o peso do corpo está colocado no membro oposto. Começando com o desprendimento dos dedos e terminando como impacto do calcâneo, esta fase ocupa 40% do ciclo da marcha. Esta fase está subdividida em três períodos – balanço inicial, balanço médio e desaceleração.
Balanço inicial – Começa com o incidente crítico do desprendimento dos dedos e continua conforme o pé é elevado do solo em um arco, pela flexão do quadril e do joelho, e o membro move-se para frente. O balanço inicial ocupa os primeiros 10% da fase de balanço.
Balanço médio – Começa quando o membro em balanço passa o membro oposto em apoio; o joelho estende, e o trajeto do pé é um arco de balanço para frente. Este período ocupa 80% da fase de balanço.
Desaceleração – Ocorre durante os 10% finais da fase de balanço; a força da gravidade e da musculatura do membro suavemente trava o movimento de balanço para frente do membro; o calcâneo toca o solo, e a sequência total do ciclo da marcha está completo.

4 – Gravidade:
A localização do centro de gravidade do corpo do adulto tem sido estimado como sendo anterior à 2a vértebra sacral, dentro da pelve verdadeira, num nível que é cerca de 55% da altura total de um indivíduo. Na marcha normal, o caminho seguido pelo centro de gravidade do corpo é uma curva uniforme e regular que move-se para cima e para baixo no plano vertical com elevação e queda médias de 2 polegadas. O ponto inferior é alcançado na fase de suporte duplo, quando os dois pés estão no solo, e o ponto alto, na fase de apoio médio. O centro de gravidade é deslocado também lateralmente no plano horizontal durante a locomoção; a distância total percorrida de lado-a-lado é cerca de 2 polegadas. O movimento é em direção ao membro de apoio e alcança seu limite lateral na fase de apoio médio. Quando os movimentos vertical e horizontal do centro de gravidade do corpo são combinados, eles descrevem uma curva sinusoidal dupla.

5 – Determinantes da Marcha:
Os seis determinantes básicos da marcha conforme definidos por Sanders, Inman e Eberhart são os seguintes:
Rotação Pélvica – Primeiro Determinante
No nível normal de locomoção, a pelve roda no plano horizontal 4o para frente no membro de balanço e 4o para trás no membro do apoio, com uma magnitude de rotação total de aproximadamente 8o . Uma vez que a pelve é rígida, a rotação ocorre realmente na articulação do quadril, a qual passa de rotação medial para a lateral durante a fase de apoio.


Inclinação Pélvica – Segundo Determinante
A pelve também inclina-se durante a locomoção normal, inclina-se para baixo em relação ao plano horizontal no lado oposto àquele do membro de apoio. O deslocamento angular ocorre na articulação do quadril e é, em média, 5o . Para permitir a inclinação pélvica, a articulação do joelho do membro que não está apoiando deve fletir para permitir a liberação dos dedos para o balanço do membro.
Flexão do joelho após o impacto do calcâneo na fase de apoio – Terceiro Determinante
O membro inferior de suporte entra na fase de apoio através do impacto do calcâneo com o joelho em extensão completa, após o que a articulação do joelho começa imediatamente a fletir-se até que o pé esteja plano no solo. A média de flexão do joelho neste período é de 15o . Logo após p apoio médio, a articulação do joelho passa para extensão mais uma vez, e isto é imediatamente seguido por uma Segunda flexão do joelho, começando simultaneamente com a elevação do calcâneo conforme o membro é levado para a fase de balanço. Este período da fase de apoio no qual o joelho é primeiro bloqueado em extensão, destravado pela flexão e novamente bloqueado em extensão antes da flexão final é conhecido como o período do bloqueio duplo do joelho.
Movimento do pé e tornozelo – Quarto Determinante.
Os movimentos do pé, tornozelo e joelho estão intimamente relacionados na regularização do centro de gravidade no plano da progressão. O centro da articulação do tornozelo está localizado aproximadamente num ponto que conecta os topos dos maléolos medial e lateral; ele atravessa um arco formado pelo braço de alavanca do calcâneo. No impacto do calcâneo, o pé é dorsifletido, o centro de rotação do tornozelo é elevado e o joelho está em extensão completa. A seguir, tem lugar uma rápida flexão plantar do pé, e quando o pé está achatado no solo no apoio médio, o centro de rotação do tornozelo está inferiorizado. O joelho está fletido 15o quando o pé está achatado. Então o calcâneo eleva-se do solo, elevando novamente o centro de rotação do tornozelo. Estes movimentos do pé e do tornozelo regularizam o curso do centro de gravidade quando acoplados com o movimento do joelho.
Movimento do Joelho – Quinto Determinante
O centro de rotação do joelho é considerado como sendo um ponto no eixo que conecta as duas maiores proeminências dos côndilos femorais medial e lateral. O joelho flete logo após o impacto do calcâneo, quando o centro de rotação do tornozelo está elevado, e por isso o centro de rotação do joelho está inferiorizado. Durante a fase de apoio médio, o joelho está completamente estendido e o seu centro de rotação eleva-se quando o do tornozelo está inferiorizado. Na fase de desprendimento dos artelhos, o joelho flete novamente quando o centro de rotação do tornozelo está elevando-se pela Segunda vez. Os movimentos do pé-tornozelo e do joelho são combinados de maneira tal que a elevação do tornozelo é compensada pela flexão do joelho.
Deslocamento Lateral da Pelve – Sexto Determinante
Na marcha bipodal, o centro de gravidade do corpo deve desviar-se da Segunda vértebra sacral sobre o pé de suporte, enquanto o membro contralateral balança para frente. Conforme o peso do corpo está sendo desviado de um membro para o outro, a pelve move-se lateralmente no plano horizontal. Os eixos femural e tibial não caem verticalmente das articulações dos quadris; entretanto, os fêmures estão inclinados medialmente no quadril e as tíbias estão alinhadas verticalmente com a articulação do joelho. Esta relação tibiofemoral estreita a base de suporte e proporciona o equilíbrio suficiente.
A resultante final da combinação dos seis determinantes da marcha é o refreamento da elevação e queda do centro de gravidade (deslocamento vertical) e do movimento látero-lateral da pelve (deslocamento horizontal) dentro de uma caixa quadrada de 2 polegadas. Os exageros em qualquer um dos seis determinantes da locomoção são compensados por reduções em um outro. A interação dos 6 determinantes da marcha cria um curso regular para o deslocamento para frente do centro de gravidade do corpo.

6 – Rotações Axiais:
Durante a deambulação os vários segmentos do membro inferior rodam ao redor de seus eixos longos. Em geral, da fase de balanço até a fase de pé plano, a rotação é medial, e quando o pé prepara-se para deixar o solo, a rotação é revertida lateralmente.
A pelve roda anteriormente 4o durante a fase de balanço e 4o durante a fase de apoio. Durante a fase de balanço, o fêmur roda lateralmente cerca de 5o na articulação do quadril; na fase de apoio, ele roda medialmente 3 a 4o . Sua rotação total é 8 a 9o durante um ciclo completo da marcha. A torção femoral é medida pela frente; ela é zero quando o quadril, patela e tornozelo estão em linha reta; quando a patela está virada para a linha média do corpo, do quadril à linha do tornozelo, o fêmur está rodado medialmente.
No impacto do calcâneo com o pé em posição neutra, a tíbia roda medialmente e alinha o tornozelo com o pé. Na conclusão do pé plano, ela começa a rodar lateralmente contra o pé fixo, e está em rotação lateral máxima quando o pé deixa o solo. Ela começa então a rodar medialmente preparando-se para o impacto do calcâneo. A rotação total da tíbia em relação ao fêmur é de 9o .
Além dos movimentos associados da pelve, quadril e joelho, existem movimentos normais de balanço dos membros superiores – quando um membro inferior avança, o membro superior do lado oposto, avança.

7 – Ação Muscular na Marcha:
É necessária uma fonte de energia para a locomoção. A energia inicial para começar, acelerar e desacelerar os segmentos do membro é suprida pela ação muscular. Os músculos estão agrupados ao redor das articulações como os extensores, flexores, abdutores, adutores e rotadores mediais e laterais primários. Alguns músculos cruzam somente uma articulação; outros estendem-se por duas ou três articulações. Sua função altera-se de acordo com as posições do membro.
Em geral, os músculos do membro inferior são usados para estabilizar, acelerar ou desacelerar a perna. Estes músculos funcionam enquanto contraem-se, alongam-se ou mantêm o mesmo comprimento.

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Author: marcio
Date: 24/2/2020, 10:02
Tipo do Texto: Desvios rotacionais e marcha
Category: Área básica
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Espero que continuem curtindo, do autor: Ortopedista Especialista em Joelho Dr. Márcio Silveira

 

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