Traumatologia e Ortopedia
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 LESÕES DO TENDÃO CALCÂNEO 
LESÕES DO TENDÃO CALCÂNEO
Ruptura, tendinopatia, luxações tb tendões do tornozelo e pé ...

1.) DEFINIÇÃO
- Trata-se de evento não muito incomum e freqüentemente agudo embora haja relatos de rupturas insidiosas e indolores nos indivíduos mais idosos

2.) EPIDEMIOLOGIA
- Predomínio de homens na proporção 6:1
- indivíduos de meia idade, em torno dos 40 anos (30-50 anos)
- lado mais comum é o esquerdo

3.) ETIOLOGIA
- A maioria dos problemas do tendão calcâneo está relacionada ao uso excessivo e decorre de múltiplos fatores, entre os quais a suscetibilidade do paciente e a sobrecarga mecânica
- o espectro das lesões estende-se desde a paratendinite até tendinose ou ruptura aguda
- mecanismos de ruptura mais comuns: impulsão com a parte anterior do pé que está sustentando o peso durante a extensão do joelho, dorsiflexão do tornozelo súbita e inesperada, e dorsiflexão violenta do pé em flexão plantar, esforço em flexão dorsal. Pode ocorrer também por golpe direto ao tendão contraído, ou em decorrência de uma laceração.

4.) FISIOPATOLOGIA
- fibras torcem 90º (RI) desde a origem até inserção: fibras do gastrocnêmio vão para lat e fibras do sóleo vão para medial
- ruptura relacionada a área relativamente hipovascular do tendão que fica 2 a 6 cm acima da inserção no calcâneo
- principal aporte sanguíneo vem do mesotendão, com irrigação mais abundante proveniente do mesentério anterior
- há diminuição dessa irrigação com o envelhecimento, assim como enrijecimento e perda da viscoelasticidade devido a alterações nas interligações do colágeno
- microtraumatismos repetidos associados a área hipovascular provavelmente são a causa da ruptura
- fatores predisponentes para tendinite calcâneo: encurtamento dos músculos panturrilha (alongamento), diminuição ADM subtalar (alongamento), pronação excessiva subtalar (palmilha supinadora), quinolonas

5.) QUADRO CLÍNICO
- Dor súbita, aguda, descrita como sensação de receber golpe na perna-“pedrada”
- ocasionalmente, o paciente não se recorda de nenhum episódio agudo
- depois de 10 dias pode ocorrer melhora dos sintomas com pcte sentindo-se confortável

6.) EXAME FÍSICO
- defeito palpável no tendão (pode ser oculto por hematoma)
- incapacidade de elevar-se na ponta dos dedos
- teste de Thompson positivo para lesão (pode ser falsamente negativo para lesão devido aos flexores plantares complementares do tnz – tibial post, FLD, FLH, músculos acessórios do sóleo)
- teste de O’Brien: agulha 25 no tendão proximal, movimenta o pé do paciente e observa se há movimento concomitante da agulha
- exagero de dorsiflexão do pé acometido

7.) EXAMES DE IMAGEM
- usados para auxiliar diagnóstico principalmente nas rupturas após 10 dias quando pode ocorrer melhora dos sintomas
- US
- RM

8.) CLASSIFICAÇÃO
- Parciais ou completas
- agudas ou crônicas (também conhecidas como negligenciadas, após 1 semana; 25% passa despercebida no diagnóstico inicial)

9.) TRATAMENTO
- Controverso: a literatura é confusa
- a recorrência de rupturas é citada como tendo índices semelhantes para tratamentos não cirúrgico e cirúrgico se o tratamento não cirúrgico for instituído em menos de 48hs
- para rupturas parciais, pacientes menos ativos, ou que apresentam complicações médicas, prefere-se tratamento não-cirúrgico
- Conservador: gesso suropodálico em eqüino por 2-4 sem, gesso suropodálico em neutro com carga progressiva por 4 sem; retorno aos esportes após 6 meses
- para pacientes mais ativos e interessados em continuar com suas atividades esportivas recomenda-se tratamento cirúrgico
- técnicas de reparo:
- reparo com ponto de Kessler mais reforço com tendão plantar
- Krackow (sem reforço)
- Lindholm: modela-se dois pedículos do tendão proximal e da aponeurose do gastrocnêmio para reforço
- Lynn (leque): reparo com reforço do tendão plantar aberto em leque
- Turco e Spinella (modificação da técnica de Teuffer): reforço com fibular curto
- reparo com reforço flexor longo do hálux
- Ma e Griffith: percutâneo
- Bosworth: reforço com tira central do gastrocnêmio (usado nas crônicas)
- transferência do FLH: usado nas crônicas

10.) PÓS-OPERATÓRIO
- Aparelho de gesso curto com pé na posição eqüina por 2 semanas
- aparelho de gesso curto com o pé em posição plantígrada por 4 semanas com carga progressiva
- iniciam-se exercícios isométricos para tornozelo
- evolução para exercícios de elevação nos dedos dos pés, de resistência, proprioceptivos, e fortalecimento geral
- na 12ª semana, órtese com bloqueio do tornozelo a 90º até aquisição de ADM total e força igual a 80% da extremidade oposta (geralmente 6 meses)

11.) COMPLICAÇÕES
- infecção profunda 1%
- fístula 3%
- necrose cutânea 2%
- nova ruptura 2%, mas pode chegar a 30% com tratamento conservador


Demais tendinopatias nos adicionais.

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Author: marcio
Date: 24/2/2020, 09:37
Tipo do Texto: Adulto
Category: Pé e tornozelo
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