Traumatologia e Ortopedia
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 Pé plano na criança 
Pé plano na criança
rígido e flexível ...

Pé plano valgo flexível


Definição: Não existe definição precisa. Queda do arco longitudinal com valgo do retrope sem outras deformidades mediopé e antepé. E importante salientar que o pe plano valgo flexível é fisiológico.

História natural:
A criança pequena ao iniciar sua marcha invariavelmente apresenta pés planos. Ao evoluir para maturidade os pés vão se desenvolvendo e tomando forma com conseqüente modelação do arco plantar longitudinal
Staheli LT, JBJS 1987
-Tenra infância – usual
-Crianças – comum
-Adulto - aceitável
Cerca de 15% dos indivíduos permanecem com arcos diminuídos, sendo que a maioria não sentirão dor na adolescência e na vida adulta.

Etiologia
A verdadeira causa do pé plano nas crianças é desconhecida.
A medida que a criança cresce, diminui a quantidade de gordura subcutânea, ocorrendo modificação na estrutura do tecido conjuntivo, com conseqüente redução da frouxidão dos ligamentos e da hipermobilidade das articulações. Nos indivíduos com pe plano mantém a frouxidão

Não há classificação citada, podendo ser usada a de Valente
• Grau 0: largura do istmo é menor que a ½ da largura do antepé
• Grau 1: largura do istmo é maior que a ½ do antepé não ultrapassando 2/3
• Grau 2: largura ultrapassa 2/3, mas não ultrapassa a borda medial do antepé
• Grau 3: largura do istmo é maior que do antepé
• Grau 4: surge arco lateral


Aspectos clínicos e radiograficos
Posição em valgo do calcanhar com protusão do tornozelo medialmente, demonstrando alteração do eixo da perna em relação ao calcanhar. O antepé esta pronado e um pouco abduzido, porem com supinação retrope, ocasionando primeiro raio plantígrado e consequente desaparecimento do arco longitudinal. O talus esta rodado medialmente e inclinado de forma plantar com sua cabeça em proeminência medial. Ocorre subluxação entre talus e navicular (verticalização do talus na incidência em perfil e medialização na incidência AP)
Radiografia: Não precisa necessaramente ser feita. Diagnostico é clinico! Radiografia é importante para diagnóstico diferencial.
AP (posição ortostática)
Ângulo talocalcaneo (Kite): ângulo formado entre maior eixo do calcaneo e maior eixo do talus. Valor normal entre 20º- 40°. Tende a diminuir com o crescimento, ficando no adulto em torno de 20°. No pé valgo este ângulo esta aumentado sendo >35°.
Ângulo talonavicular (Gianestras): traçado entre a linha que seque maior eixo do talus e o seu encontro com a linha paralela a superficie art distal do navicular. Valor normal entre 60 e 80°. Menor que 60° indica desvio medial do talus.
Perfil (posição ortostática)
Ângulo inclinação calcâneo (Pitch): ângulo formado entre a horizontal e a borda plantar do calcâneo: Nomal entre 15 e 20°. Valor < 15º esta associado com pé plano valgo com contratura do tendão calcâneo.
Ângulo de flexão plantar talo: ângulo formado pela linha horizontal e a linha traçada ao longo do eixo do talus. Valor normal 26°
Ângulo interno segundo Moreau-Costa-Bertani: http://traumatologiaeortopedia.com/album_showpage.php?pic_id=117
Linha Meary: ossos talo, navicular, cuneiforme e primeiro MTT esta alinhado nos pés normais. Se houver uma alteração na articulação talo navicular vai ocorrer uma quebra dessa linha de maneira a gerar um vértice de orientação plantar. Outra alteração que pode ocorrer é quando há uma alteração entre o navicular e o cuneiforme. Nessa situação a linha eixo talus e navicular passa inferior ao cuneiforme.

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Exame clínico:
Nas crianças maiores pode haver queixa de dor. Outras: dor, fadiga, desconforto, quedas freqüentes, genu valgo, calçados
HP: Procurar saber se o parto transcorreu sem problemas e se a criança atingiu o desenvolvimento esperado nas sucessivas faixas etárias. Historia familiar de pe plano e frouxidão ligamentar
Exame físico
Forma leve: diminuição do arco longitudinal
Forma moderda: bipedestação - ao retirar carga arco longitudinal se refaz
Forma grave: sem arco, borda convexa, proeminecia do talus logo abaixo do maléolo medial
Provas de flexibilidade:
A mobilidade da art subtalar é avaliada com a criança em posição ortostática e em sequida pedindo que ela fique na ponta dos pé. No pé plano flexível a posição em valgo do calcanhar muda pra varo quando ele fica na ponta dos pés.
Jack´s teste: útil para se verificar pé plano patológico. Quando o primeiro dedo é estendido o arco plantar longitudinal aparece e o calcanhar assume posição em varo.

Diagnostico diferencial:
Distrofia muscular
Paralisia cerebral – presença espasticidade
Navicular acessório

Tratamento
Orientar familiares – benignidade, evolução natural, hereditariedade, andar descalço (arco longitudinal se desenvolve de maneira mais rápida em populações que andam mais descalço).
Alongamento: caso a criança tenha encurtamento do tríceps sural
Palmilhas: não tratam.

Cirúrgico: sintomas intratáveis, dor, calosidade, fadiga

No pe plano flexível: antes dos 10 anos, se os sintomas persistirem com trat conservador.
Pacientes com seqüelas neurológicas e sindrômicas são os que mais se beneficiam
Outro fator que fale a favor de cirurgia: desgaste anormal dos calcados

-Osteotomia (alongamento, distração em cunha) e colocação enxerto (tricortical ilíaco) calcâneo.
-Procedimento de partes moles: alongamento tríceps sural (vulpios) caso esteja encurtado
-Artrodese: Não é razoável trocar deformidade por rigidez articular. Perda mobilidade articulação produz desgaste prematuro das articulações adjacentes. As artrodeses são procedimentos úteis no pé doloroso do adulto.

PARTES MOLES: parece não resistir ao tempo, com alta recidiva
PARRTES OSSEAS:
1. ARTRODESE: pode levar a desgastes articulares adjacentes. Úteis no pe doloroso do adulto.
2. ARTRORISE: estabilização subtalar com implante por tempo limitado.
3. OSTEOTOMIAS:
a. DWYER: osteotomia do calcâneo com enxerto de adição lateral ou subtração medial (não recomendada para PPflexivel
b. KOUTSOGIANNIS: osteotomia de deslizamento medial do calcâneo, ate que borda medial fique em linha com o sustentáculo do talus. Melhor indicação: PP rígido, com o sequaela do PTCridido ou se a rigidez do pe impede cirurgias mais fisiologicas
c. EVANS: alongamento do calcâneo, no seio do tarso. Obj: equalização das duas colunas do calcâneo (pois a lateral esta diminuída). Mecanismo não totalmente compreendido. Qdo a parte lateral anterior do calcâneo vai pra frenta com o alongamento, levanta a cabeça do talo com o colher-ovo. Complexo talo-calc-nav torna-se enartrose, que e corrigido com Evans. No rx, o ângulo talo-calc não melhora muito, diferente da clinica. VANT: corrige deformidade no próprio local, alivia os sintomas mesmo nos casos de barra, restaura função da subtalar, evita artrodese, preserva crescimento do calcâneo. usa gesso por 4 meses, carga a partir de 4 semanas. Se houver mobilidade art talonavcular, faz plicatura da cápsula talonav, com avanço do tibial posterior.


Adendo:
Navicular acessório.
Grande variedade de apresentação clinica. Nem sempre quem tem navicular acessório tem pé plano.
A maioria dos pacientes é sem sintomas
Tratamento para os casos sintomáticos. Técnica é específica para cada caso.



Pé plano rígido – Coalizão tarsal: http://traumatologiaeortopedia.com/kb.php?mode=article&k=70

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Author: rogerio
Date: 24/2/2020, 10:43
Tipo do Texto: Desvios rotacionais e marcha
Category: Pediátrica
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