Traumatologia e Ortopedia
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 Pé plano 
Pé plano
adulto ...

Pé plano secundário a insuficiência do tendão tibial posterior (Pé plano adquirido do adulto)
Definição: perda do arco plantar medial

Anatomia funcional
O arco longitudinal do pé é mantido por estruturas ósseas, ligamentares (estáticas) e miotendíneas (dinamico)
Complexo subtalar: formado por 4 ossos e três articulações. Talus, calcâneo, navicular e cubóide, e as articulações talocalcaneana, talonavicular, calcaneocuboidea. Essas três articulações funcionam conjuntamente e são mobilizadas pelos tendões inversores localizados medialmente ( tendão tibial ant- insere na base do primeiro MTT e face medial cuneiforme medial e tendão tibial post – insere na tuberosidade navicular, cuneiformes e base II, III, IV) e pelos tendões eversores localizados lateralmente (fibular curto –insere na base do 5°MTT; fibular longo – passa debaixo do cuboide e se insere no cuneiforme medial e 1° MTT).
Na marcha na fase de contato do calcâneo ocorre alinhamento do complexo subtalar com tendecia em valgo do retrope. Já na fase de desprendimento do calcanhar existe um alinhamento em varo do retropé. Mudança da conformação do complexo subtalar e consequentemente mudança da função do pé. Contato: articulações estão alinhadas permite flexão e assim abosorve bem impacto. Desprendimento: articulações em planos diferentes “travadas”pemitindo propulsão.

Situção normal: Paciente fica na ponta dos pés e consegue promover o varismo do retropé
Situação anormal: paciente fica na ponta dos pés e não tem varismo do complexo subtalar . Duas situações: rigidez da articulação subtalar ou disfunção do tendão tibial posterior.
Etiologia
Rigidez articulação subtalar: coalizao tarsal, anomalia anatômica, artrose do navicular (Doença de Miller Veiz) .
Disfunção do tendão tibial posterior:
*Osso navicular acessório: gera fraqueza entre o osso acessório e a tuberosidade navicular. Em alguns pacientes essa região pode sofrer estresse excessivo e a inserção do tendão tibial posterior torna-se insuficiente, podendo evoluir para disfunção do tibial posterior.
*Fratura tornozelo: 30-50% existe algum tipo de comprometimento do tendão tibial posterior sobre os bordas da fratura. É importante verificar no intra operatório as condições desse tendão e caso haja lesão do mesmo fazer o reparo.
Outros: ruptura trauma aguda do tendão, trauma repetitivos, degeneração da estrutura do tendão (colágeno), alteração da vascularização do tendão (anatomia do tendão no trajeto).

Outros causas de pé plano adquirido adulto: instabilidade no 1° raio (associado com halux valgo) e instabilidade na articulação de lisfrank

A disfunção do tendão tibial posterior é a principal causa.
Acomete principalmente mulheres de meia idade 45 a 50 anos, obesas, sedentárias.
Clinica: inicia com queixa de dor em região postero - medial do tornozelo. Na sequencia tem-se a progressao da dor e valgização do calcâneo. Este último leva compressão lateral e consequentemente dor lateral (seio do tarso). Importante avaliar a marcha do paciente e testes específicos.
Sinal do “too many toes”: muitos dedos aparecem lateralmente. Valgização do retropé acompanhado de abdução antepé
Paciente de costas: valgo excessico. Paciente na ponta dos pés normalmente há uma varização do retropé. Com a insuficiência do tendão tibial posterior essa varização não acontece (persiste a deformidade em valgo, perda da capacidade de inversão retropé) .
A primeira queixa é deformidade em valgo do pé em torno do arco medial( diversas patologias levam esse queixa).



Fisiopatologia

O tendão do tibial posterior é importante na fase de impulso da marcha, principalmente nas atividades esportivas. Quando se tem um alongamento desse tendão perde-se em impulso da marcha. Disfunção do tibial posterior ocorre a perda equilíbrio de supinação com predomínio do fibular curto levando ao valgo do pe. A deformidade em valgo altera o eixo do tendão calcâneo que passa de ligeiramente medial para lateral, contribuindo para aumento da deformidade. Em sequencia ocorre alteração das estruturas mediais e alteração degenerativa da articulação do tornozelo.



Radiografia
Descrição: Talus esta afundado com relação ao navicular (GAP), 1° MTT esta horizontalizado, perda da identificação subtalar posterior e subtalar média


Estágios clínicos (patologia evolutiva)
Estagio I: exame normal, vai apresentar basicamente dor, edema na porção medialdo tornozelo. Função preservada
Estagio II: tendão alongado. valgo do retrope. Rx não tem alteração degenerativa
IIa- dor medial IIb- dor lateral
Estagio III: alterações degenerativa. Quando se corrige o valgo do retropé a antepe ficam supininados- art rígida.

Outros exames
Não é necessário outros exames alem do exame clinico.

Tratamento conservador – Estagio 1 e 2 com sintomas discretos
O tratamento conservador é feito nos estágios iniciais – sinovite e tenosinovite.
Repouso, AINES, fortalecimento muscular e alongamento, correção com palmilha com enchimento medial (diminuir tendecia valgo do retropé). Imp: O calçado deve imobilizar a articulação subtalar. (calçados devem ter solado firme e que prendam o calcanhar). Com relação as palmilhas estas devem bloquear o movimento excessivo do pé (palmilhas rígidas).

Tratamento cirúrgico – falha do tratamento conservador

Classificação DTTP
Estagio 1 – dor, sem deformidades ( variza retrope na ponta dos pés, arco longitudinal é normal).
Tratamento cirúrgico controverso. Pode ser indicado em caso de falha do tratamento conservador. – Tenoplastias e sinivectomias (retira a inflamação do tendão)
- Osteotomia – proteção do tendão tibial posterior (osteotomia varizante calcaneo)
Estagio 2: deformidade redutível (valgo excessivo do retropé, desabamento do arco do retropé). Insuficiência tendão.
- Tenoplastias e sinovectomias
- Potencialmente transferência FLD Trocar o tendão, utiliza-se atualmente o tendão flexor longo dos dedos. Reinsere este tendão na tuberosidade do navicular.
- Osteotomias. Proteção do tendão TP – varizante do calcâneo (osteotomia reta + translação da região post do calcâneo para medial) - alongamento da coluna lateral (corrigir abdução do antepé – melhora o desequilíbrio mecânico do retropé)

Estagio 3: Deformidade irredutível. Complexo subtalar já esta perdido, não tem mais função. Corrigir a deformidade. – Artrodese duplas ou tríplas modelante.

Pé plano flexível - na criança: http://traumatologiaeortopedia.com/kb.php?mode=article&k=68

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Author: rogerio
Date: 24/2/2020, 09:36
Tipo do Texto: Desvios rotacionais e marcha
Category: Pé e tornozelo
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