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 Artroplastia de quadril 
Artroplastia de quadril
e artrodese ...

Artroplastia

Na era moderna da artroplastia por substituição total da articulação teve início em 1958, quando Charnley desenvolveu uma prótese que consistia em um componente femoral metálico (cabeça 22), que se articulava com um componente acetabular plástico, ambos fixados com cimento (metilmetacrilato). O sucesso de uma artroplastia total de quadril depende de 3 fatores: escolha do paciente, escolha do implante e escolha da técnica cirúrgica.

Tipos: cimentada, não-cimentada e híbrida

Indicações e contra-indicações: artroplastia total está indicada nos pacientes que apresentam articulação artrítica dolorosa e incapacitante, refratária ao tratamento conservador. Uma patologia bilateral dolorosa e grave constitui a maior indicação para artroplastia, em pelo menos um dos lados. O procedimento normalmente está indicado para pacientes + idosos, > 65 anos (na artrite reumatóide e espondilite anquilosante podemos indicar + cedo).Como contra indicações temos a imaturidade esquelética, doenças neurológicas progressivas e déficit da musculatura abdutora. A contra indicação absoluta é infecção

Materiais e tipo de fixação: a combinação clássica de metal articulado com superfície de polietileno permanece a mais utilizada. A escolha do metal tem variado desde aço inoxidável até ligas + resistentes como cromo-cobalto, alumínio-titânio. O uso da cerâmica tb vem ganhando defensores, pelas excelentes características friccionais quando combinada com o polietileno ou com a própria cerâmica. O material ideal para 1 componente deve ter elevado limite de fadiga e resistênsia tênsil. Um baixo módulo de elasticidade (+ elasticidade) pode ser vantajoso, pois reduziria o estresse sobre o componente e aumentaria a carga sobre o cimento e osso. Um elevado módulo de elasticidade (- elasticidade) reduz o estresse sobre o cimento, diminuindo a chance de falha do cimento. Porém isso pode ser desvantajoso pelo fato de pouca carga passar pelo osso, levando a uma osteoporose de desuso.

O polietileno é um material viscoelástico, formado a partir do etileno. Ele é biocompatível, proporciona superfície de baixo atrito e é muito resistente ao desgaste.

Componente femoral cimentado
- Cimentado: deve ocupar 80% do canal femoral
- Manto de cimento deve ser de 2-4 mm
- Cimentação
- 1ª geração
- Colocação do cimento no canal femoral sem plugue: geralmente manto inadequado
- Implantes com parede medial fina
- 2ª geração
- Plugue no canal medular e inserção do cimento com pistola
- Implantes com parede medial larga
- 3ª geração: técnicas da segunda geração +
- Redução da porosidade do cimento, pressurização do manto do cimento
- Centrifugação
- Modificação na superfície dos implantes
- modificação na micro e macro textura
- cobertura com polimetilmetacrilato (PMMA) para melhorar a ligação ao cimento
- 4ª geração: todos da terceira geração +
- Centralização proximal e distal da haste para manto de cimento simétrico
- Avaliação radiográfica
- Sinais definidores de soltura
- Mudança na posição do implante, migração
- Radioluscência metal-cimento ausente no RX anterior - Fratura do manto de cimento
- Fratura do implante
- Sinais prováveis de soltura
- Radioluscência – Critérios de Harris
- contínua na interface cimento osso: provavelmente solta
- entre 50-99% da interface cimento-osso: possivelmente solta
- Estudos recentes: radioluscência pode demonstrar somente remodelação e não soltura
- Em geral, as por remodelação não são progressivas e não estão associadas a formação de linhas de esclerose

Componente femoral não cimentado
- Extensivamente porosa: > 80%
- Mesmo que não haja invasão óssea, a fibrose que penetra estabiliza a prótese
- Permite fixação em toda a sua extensão
- Áreas de crescimento ósseo máximo: spot weld - Nas largas, há maior stress shielding
- Dificulta a retirada nas cirurgias de revisão
- Porosidade proximal
- Funcionam bem quando há invasão óssea mas não tão bem quanto as extensivamente porosas quando a invasão não ocorre
- Movimento na ponta distal da prótese tem correlação com a quantidade da porosidade
- Dá mais dor pós operatória do que as totalmente porosas
- Predição do crescimento ósseo pelo RX
- Resposta femoral ao componente com porosidade total
- Três tipos
- Ocorre invasão óssea: sinais ocorrem em 1 ano
- Densificação endosteal (spot weld)
- Geralmente na região do final da porosidade
- Proximalmente a esta área o córtex femoral fica fino e menos denso
- Ausência de linhas de demarcação rádiodensas próximas a porosidade
- Não ocorre invasão óssea mas implante é estabilizado por fibrose
- Linhas escleróticas ao redor da porosidade
- Menos atrofia do colo femoral medial - Sem sinais de migração
- Não ocorre invasão e haste fica instável
- Seleção dos doentes
- Fator mais importante para sucesso: qualidade da fixação inicial no fêmur
- Pouca influência das características do doente
- Requerimento para uso de haste sem cimento: presença de osso capaz de suporte mecânico inicial

Componente acetabular cimentado
- Menos sobrevida do que o sem cimento
- Bom para idosos, doentes de baixa demanda, custo baixo e simplicidade
- Indicado para reconstrução em tumores, se não houver condições para crescimento ósseo para um componente sem cimento ou em revisão com grande quantidade de enxerto ósseo
- Avaliação radiológica
- Posição
- Ângulo de abdução: interseção da linha da abertura do componente acetabular com a linha interlacrimal
- Distância horizontal da taça até a intersecção e distância vertical até a linha interlacrimal é usado para avaliar mudança de posição no pós-operatório
- Objetivo: abdução de 40º, anteversão de 15º e cobertura > 80%
- Soltura
- Sinais definitivos: mudança de posição e fratura do cimento
- Altamente sugestivo: radioluscência de 2 mm pela interface metal-cimento
- Radioluscência entre o cimento e osso tem menos correlação com soltura
- Características do desenho
- ↑ da área entre o polietileno e o cimento ↑ a resistência torcional
- Colocação excêntrica do soquete no acetábulo ↑ o estresse no cimento
- Técnica
- Preparo do acetábulo: fresar até aparecer um pouco de osso esponjoso
- Implante deve permitir de 2-4 mm de cimento
- Superfície de contato é maior com orifícios múltiplos
- 2 orifícios grandes (6 mm de largura e 10 mm de profundidade) são criados na porção superior e 1 em cada cavidade medular púbica e isquiática
- Limpeza pulsátil e secagem
- Aplicação do cimento: pressurização é feita com balão
- Soltura: relacionada a processo biológico, mais do que mecânico
- Metal backing
- Zonas de DeLee e Charnley -> http://traumatologiaeortopedia.com/album_showpage.php?pic_id=781
- Zona I: lateral - Zona II: média - Zona III: medial
- Zonas de Martell: divide a Zona I e Zona II de DeLee em 2 zonas cada
- Anéis de reforço acetabular
- Objetivo: reforçar a fixação com cimento
- Dá suporte imediato ao componente acetabular e protege o enxerto ósseo até consolidação
- 3 tipos básicos
- Fixados somente ao ílio com placa de extensão superior
- Müller: reconstrução de defeito periférico ou cavitário isolado com parede medial intacta
- Fixados ao ílio com placas e inferiormente com ganchos
- Ganz, GAP
- Placa superior e inferior: Burch-Schneider

Componente acetabular sem cimento
- Divisão dos acetábulos sem cimento
- Desenhados para fixação mecânica (forma geométrica, parafusos, etc)
- Próteses rosqueadas: taxa alta de soltura
- Alta rigidez  estresse rosca / osso  soltura
- Desenhados para fixação biológica
- Formas de fixação das próteses porosas
- Osso esponjoso
- fixação press-fit + 2 parafusos no ílio demonstraram menos movimento no ílio mas mais movimento no púbis quando comparado a 3 espículas
- Pegs anti-rotacionais - Espículas para fixação
- Quadrantes de Wasielewsk: segurança colocação dos parafusos (serve para “High Hip Center”) -> http://traumatologiaeortopedia.com/viewtopic.php?p=905#905
- Linha da espinha ilíaca antero-superior ao centro do acetábulo
- Linha perpendicular à 1ª linha, pelo centro do acetábulo
- Seguros: risco baixo – recomendados para fixação transacetabular
- Póstero-superior: parafuso até 35 mm
- risco de lesão do nervo ciático e nervo e vasos glúteo superiores
- Póstero-inferior: parafuso até 25 mm
- risco de lesão das estruturas glúteas inferiores e pudenda
- Não seguros
- Antero-superior: risco de lesão da artéria e veia ilíaca externa
- Antero-inferior: risco de lesão dos vasos e nervos obturatórios
- Press-fit
- Implantação de componente superior ao tamanho da fresagem, de 2-4 mm
- Risco de fratura acetabular é maior com componente 4 mm maior
- Geralmente não há contato inicial bom na Zona II de DeLee e Charnley
- Após 2 anos: migração proximal ou crescimento ósseo com desaparecimento do defeito
- Bom contato periférico
- Parafusos geralmente não ↑ a estabilidade após press-fit
- Posição ideal
- Anteversão de 15-25º (se via posterolateral: anteversão de 20-25º) - Abdução de 35-40º
- Desgaste
- Pode ser maior nas não cimentadas pela interface entre o polietileno e o metal backing
- Escorrimento do polietileno pelos orifícios dos parafusos não preenchidos podem levar a mais debris
- Soltura
- Radioluscência
- Progressiva: indica soltura - Não progressiva: indefinido - 2 mm, indica possível soltura

O cimento (metametilmetacrilato) é empregado como material de enchimento para transferência de estresse da superfície dos componentes à superfície óssea, reduzindo a pressão por unidade de supefície. O cimento ósseo é um sólido quebradiço, relativamente rígido, com módulo de elasticidade menor que o do osso (+ elástico). O cimento é 3 x + forte em compressão que em tensão. A redução do tamanho e número de bolhas (porosidade) na preparação do cimento melhora a vida útil, aumentando sua resistência à fadiga. Isso é conseguido mediante centrifugação e mistura a vácuo. A adição de substâncias ao cimento, como antibióticos diminui a resistência mecânica do cimento. Porém, essa queda não é significativa se a dosagem de antibiótico adicionada for mantida abaixo de 2g por 40g de cimento.
O grande causador da frouxidão asséptica é o cimento (dç do cimento). Iniciou-se então a procura de uma fixação protética + adequada e duradoura, sem o uso do cimento. Daí surgiu a idéia da fixação biológica (prótese sem cimento). A fixação da prótese é obtida através crescimento ósseo no interior de porosidades dos componentes. Quando a porosidade é < 50mm, tende a crescer + tecido fibroso que ósseo. O tamanho ideal da porosidade para rápido crescimento ósseo fica entre 100 e 400mm. A fixação do implante envolve os princípios de macro e microtravamento. O macrotravamento pode ocorrer por meio de 1 princípio comum de encaixe por pressão (press-fit), por meio de plugs cavilhas ou uso de parafusos (acetábulo). O microtravamento usa o conceito de intracrescimento interno do osso nos pequenos poros, que proporcionam a fixação em tensão, compressão e cisalhamento. Os pré-requisitos para a fixação óssea são a imediata estabilidade do implante por ocasião da cirurgia e o íntimo contato entre a superfície porosa e o osso viável do hospedeiro. Nos dias de hoje, as próteses não cimentadas enfrentam novos problemas, como a reabsorção óssea (stresshielding) e as osteólises. Novos estudos afirmam que o principal responsável pelo afrouxamento (froxidão asséptica) seria o polietileno e não o metilmetacrilato.

- Transferência de estresse para o osso
- Varia conforme o material, geometria, tamanho, método e extensão da fixação da haste
- Stress Shielding: produz soltura e predispõe à fratura do fêmur ou do implante
- Mais comum com próteses de diâmetro maior
- Com fixação sob pressão no ístimo e evidência radiológica de crescimento ósseo, há maior stress shielding
- Porosidade total em prótese larga causa mais stress shielding
- Módulo de elasticidade baixo: titânio
- Reduz o estresse sobre a haste e distribui maior estresse sobre o osso

O coeficiente de eslasticidade dos componentes metálicos é muito maior que o do osso; dessa forma, quando colocamos uma haste rígida no canal femoral, ocore transmissão da carga pelo implante, e não através da porção proximal do fêmur. Assim, pelo desuso, ocorre reabsorção óssea do fêmur proximal (stresshielding). Esse problema não é encontrado nas próteses cimentadas, uma vez que o módulo de elasticidade do cimento é semelhante ao do osso, minimizando o problema.
O desenho dos componentes varia quanto o tamanho da cabeça (pode ser 22, 26, 28 ou 32mm), quanto ao comprimento do colo (varia de 30 a 40mm), off-set (distância entre a cabeça e a haste, que pode ter entre 38 e 45mm) e comprimento da haste femoral (tem entre 12 e 18 cm).

Desgaste: a modalidade + comum de falha do polietileno é o desgaste interno na interface metal-plástico. Esse desgaste costuma ocorrer na porção súpero-lateral do componente, e os fatores determinantes são coeficiente de fricção, lubrificação, carga, diâmetro da cabeça, número de ciclos e dureza dos materiais. Com uma cabeça + ampla, a pressão por unidade de superfície é menor e isso tende a diminuir o desgaste. Os principais problemas do desgaste do polietileno incluem o impingment mecânico do colo no soquete, pelo afundamento da prótese, secundário a alterações no interior da cúpula, levando luxações e soltura do componente.

- Coeficiente de fricção: resistência de movimento entre duas superfícies
- Normal = 0,008 a 0,02
- ↓ na cerâmica - cerâmica, cerâmica – polietileno, e metal – polietileno
- ↑ na cerâmica – metal: combinação não é utilizada
- Torque friccional: produto da força friccional X braço de alavanca
- Produzido quando há arco de movimento no quadril com carga
- Transmitido para taça, haste do componente femoral, cimento e interface osso cimento
- Pode ser causa de soltura de componentes
- Desgaste
- Tipos
- Abrasivo - Adesivo - Fadiga
- Determinantes
- Coeficiente de fricção
- Duresa - Distância de deslocamento para cada ciclo - No de ciclos por tempo
- Carga aplicada
- Local
- Geralmente na região supero medial com inclinação de 10-15º
- Ocasionalmente ocorre superolateralmente ao centro de rotação do quadril
- Wearing-in: período inicial de uso em que o desgaste é maior
- Ocorre pela irregularidade na superfície do polietileno que é gasto
- Com a melhor adaptação entre as duas superfícies, ocorre ↑ da distribuição de pressão e ↓ do desgaste
- Desgaste normal: cromo-cobalto – UHMWPE: 0,1 mm / ano
- Cabeça femoral interfere no desgaste
- Maior desgaste linear: 22
- Maior desgaste volumétrico: 32 - Cabeça 28: melhor característica de desgaste

Evolução da cimentação: a evolução da PTQ ocorreu em 2 caminhos: evolução da cimentação e eliminação do cimento. Evidenciam-se 3 estágios na técnica de cimentação óssea:
1- Primeira geração: colocação manual (digital) do cimento no fêmur e acetábulo, sem plug ósseo.
2- Segunda geração: colocação de plug ósseo no canal femoral, com lavagem pulsátil e colocação do cimento de maneira retrógrada, com pistola.
3- Terceira geração: redução da porosidade do cimento por meio de centrifugação e mistura à vácuo, introdução da pressurização do cimento e do uso de centralizadores.
O manto de cimento deve ter espessura de no mínimo 2mm de espessura no componente femoral, otimizado pelo uso do centralizador. No caso do acetábulo, o manto de cimento deve ser uniforme e ter de 2 a 5mm de espessura.

- Técnica de cimentação contemporânea
- Preparação do canal
- Plugue 2-3 cm distal à ponta do componente
- Limpeza pressurizada e secagem do canal
- Preparação do cimento: centrifugação e mistura à vácuo ↑ a resistência
- Cimento de maior viscosidade tem maior sobrevida
- Colocação do cimento e pressurização: deve ser colocado com pistola
- Após preenchimento  pressurização  ↑ penetração no osso (melhor é de 4 mm)
- Centralização: permite manto simétrico em toda a volta
- Soltura está associada a cimento fino nas zonas 5 e 6 de Gruen
- Espessura do manto não é bem definida: não < 2 mm. (2-5mm)
- Fraturas iniciam-se mais frequentemente na ponta da haste e na região proximal e medial
- Avaliação da cimentação
- Classificação de Barrack: utiliza a 1ª radiografia e não as do acompanhamento
- A: preenchimento completo da porção proximal da diáfise
- B: preenchimento quase completo em que é possível distinguir o córtex do cimento em algumas áreas
- C
- C1: manto de cimento incompleto na porção proximal com > 50% da interface manto-cimento com radioluscência
- C2: manto < 1 mm ou metal está sobre o osso
- D: manto de cimento com deficiências grosseiras como ausência de cimento abaixo da haste, defeitos grandes, espaços vazios grandes
- Mecanismos de falha
- Maior parte dos casos provavelmente relacionado a causa mecânica
- Após o início da falha mecânica, o processo biológico passa a ser mais importante
- Fratura do cimento  ↓ da estabilidade  debris poliméricos  reação tecidual de corpo estranho  reabsorção óssea e membrana fibrosa vista às revisões
- Remodelamento
- Há ↑ do canal medular > 45 anos: pode participar na soltura mas não há estudos que confirmam
- Stress Shielding
- Osteólise: Antigamente chamada de doença do cimento mas causada principalmente pelo polietileno
- Ocorre em associação com soltura asséptica
- Não parece ser o iniciador da soltura no componente femoral
- Desenho do implante
- Colar: ↑ na transferência de carga para o fêmur proximal
- Provavelmente ↓ osteólise do fêmur proximal
- Superfície texturizada: se houver descolamento do cimento, pode haver maior formação de debris
- Interface cimento-metal: um dos fatores iniciadores na falha dos componentes cimentados

Resultados: a prótese cimentada de terceira geração parece ter melhores resultados que as não cimentadas em pacientes > 60 anos.

Planejamento pré-operatório

- Exame físico
- Lordose lombar excessiva: orientação diferente do acetábulo na postura ereta pode ter impacto na estabilidade do componente
- Componente deve ser colocado com mais anteversão para ficar mais estável quando o doente levantar
- Obliqüidade pélvica: encurtamento?  testar com correção com blocos de madeira
- Medida dos membros inferiores
- Da espinha ilíaca ântero-superior até o maléolo medial
- Correção com blocos de madeira - Escanograma
- Trendelenburg: testa fraqueza dos abdutores
- Se fraqueza significativa, considerar aumentar o offset ou lateralizar o trocanter maior
- Contraturas: fazer alongamento com fisioterapia antes da cirurgia
- Em flexão: teste de Thomas (+)
- Doença em várias articulações: atenção imediata para a mais sintomática
- Se muitas sintomáticas, priorizar as dos membros superiores que evitariam uma boa reabilitação para os membros inferiores
- Membro inferior: Pé  Quadril  Joelho

- Via de acesso
- Se contratura em flexo-adução: dar preferência para anterolateral ou lateral direta
- Via posterior: maior risco de luxação
- Não associar a via lateral direta à osteotomia do trocanter

- Radiografias
- AP bacia e AP do quadril: rotação interna de 15º-20º das extremidades inferiores
- Se não puder fazer do lado acometido, usar o lado oposto para planejamento
- Perfil do quadril: várias técnicas
- Lowenstein: doente em DDH com quadril rodado externamente

- Índice de Dossick: razão calcar / canal
- Diâmetro no ponto médio do trocanter menor / diâmetro 10 cm distal
- 2 pontos a 3 cm do trocanter menor e 2 pontos a 10 cm
- < 0,5: A: favorece uso de prótese não cimentada
- 0,5-0,75: B: intermediário
- > 0,75: C: favorece o uso de prótese cimentada

- Pontos de referência
- Linha de Köhler: linha ilioisquiática
- Usada para medir a protrusão acetabular - É posterior à parede medial da pelve
- Lágrima: borda lateral identifica a porção externa do acetábulo e borda medial a porção interna
- Uma linha horizontal pode ligar as duas lágrimas e outras verticais perpendiculares à primeira formam áreas para referência da posição da cabeça femoral
- Normal: 14 mm vertical e 37 mm horizontal
- Distância desta linha horizontal ao trocanter menor dá a diferença de comprimento
- Offset: Distância perpendicular do eixo longo do fêmur e o centro de rotação do quadril
- Medida do momento abdutor
- Linha entre as espinhas ilíacas antero-superior e póstero-superior
- Linha do ponto entre 1/3 do caminho de posterior para anterior para a ponta do trocanter maior
- Linha perpendicular é construída do centro de rotação a esta linha, que representa o momento abdutor

- Planejamento do componente acetabular
- Acetábulo: template logo lateral à lágrima, angulado 45º
- Se cimentada, deixar 2 mm para cimento
- Casos de protrusão acetabular
- Deixar centro de rotação medianizado pode ser ruim pela falta de suporte ósseo
- Usar enxerto para lateralizar o componente acetabular
- Um componente maior geralmente é necessário para ter contato periférico
- Acetábulo lateralizado
- Osteófitos  lateralização do acetábulo
- Pode ser identificado por um template que demonstra ser necessário 1-2 cm de fresagem
- Importante reconhecer para evitar um componente lateralizado com cobertura óssea incompleta
- A identificação do local correto do acetábulo pode ser iniciada pela identificação do ligamento transverso acetabular e a localização da lágrima
- Migração súpero-lateral
- Ocorre em algumas degenerações do quadril
- Identificado pela colocação do template na lágrima e a presença de uma porção significativa da margem lateral sem cobertura
- Opções para tratamento
- High hip center com componente menor
- Desvantagem: osso disponível é pequeno e não dá cobertura adequada
- Componentes pequenos necessitam de cabeça pequena (22) para um polietileno adequado  ↑ a instabilidade por impacto anterior à flexão e rotação interna e no ísquio à extensão e rotação externa
- Ocorre maior força no quadril com maior desgaste
- Cobertura: 10-20% sem cobertura pode ser aceito para componentes não cimentados
- Anteversão
- Se exagerada, pode ser difícil o uso de componentes não cimentados
- Opções para correção:
- Prótese especialmente desenhada - Haste modular
- Alguns modelos, prótese do lado oposto dá retroversão relativa de 20º
- Osteotomia subtrocantérica derrotativa

- Planejamento do componente femoral: após o acetabular
- Tipo de fixação
- Componentes com porosidade proximal: preenchimento proximal e contato completo
- Componentes com porosidade total: fixação ocorre distalmente. Contato total no ístimo
- Cimentado: deixar 2 mm para cimento
- Idealmente, corte femoral deve ser 1-2 cm acima do trocanter menor
- Se centro da cabeça femoral cair lateral ao centro de rotação do quadril: ↓ do offset
- Conseqüências da ↓ do offset
- ↓ do momento abdutor - ↓ da estabilidade
- ↑ das forças de reação no quadril  ↑ de soltura e desgaste
- Opções para manter o offset
- Colocação mais baixa da haste com colo maior
- Trocar por haste com desenho com offset maior
- Ângulo diáfise-colo: normal 125º
- Maioria das hastes: de 130-135º
- Coxa vara: Pacientes tem offset maior do que o usual
- Coxa valga: se ângulo colo-diáfise maior do que o da prótese
- Offset menor e mais comprimento
- Para compensar usando um componente menos valgo: corte alto no colo com colo curto
- Coxa breve: ocorre o colo curto em doenças como Perthes e epifisiolistese

Complicações (mortalidade 1-2%)

1- Tromboembolismo: é a complicação clínica + comum (pico no quarto PO). Ela é responsável por + 50% da mortalidade PO. Sem profilaxia ocorre em 40 a 70% dos pacientes.
2- Luxação: ocorre em 3% das artroplastias primárias e 10% nas revisões. Está associada à retroversão do componente acetabular e tensão inadequada de partes moles. O componente acetabular deve ficar em uma anteversão de 15graus; e uma inclinação de 45graus;. Ocorre mais comumente nas primeiras 6 semanas da cirurgia.
3- Lesão nervosa: até 3,5% nas próteses primárias e 7,5% nas revisões. Pacientes submetidos à artroplastia por sequela de DDQ tem maior risco. Podem ser envolvidos o ciático, femoral, obturador e fibular. Pode ser causada por alongamento do membro, trauma intra-operatório, extrusão de cimento e luxação.
4- Lesão vascular: é raro (0,5%). A colocação de parafusos no quadrante ântero-superior do acetábulo coloca em risco a artéria e veia ilíaca externas.
5- Discrepância de membros: é a complicação ortopédica + comum. È mais comum o alongamento (posicionamento do componente femoral em valgo).
6- Infecção: incidência de 1 a 2% nas primárias e de 3 a 4% nas revisões. O s. aureus e o s. epidermidis são responsáveis por 70% das infecções. Alguns fatores de risco para infecção incluem: DM, obesidade, tabagismo, AR, lúpus, desnutrição, corticóides, etc.
7- Afrouxamento séptico: zona de radioluscencia entre o cimento-osso ou metal-cimento.
8- Metalose e osteólise: a osteólise periprotética é comum e ocorre mais nas próteses não-cimentadas. O desenvolvimento de debris tem surgido como a principal ameaça à sobrevida da PTQ, principalmente a não-cimentada.


Artrodese
Tem sido descritas muitas técnicas de fusão do quadril, mas elas pdem ser divididas em 3 categorias: intra-articulares, extra-articulares ou combinadas. As fusões extra-articulares essencialmente usam algum tipo de enxerto ósseo estendendo-se do fêmur até o ílio ou ísquio. Artrodese intra-articular envolve desnudamento da cabeça femoral e cavidade acetabular para ocorrer fusão óssea (alto índice de falha). Em geral indica-se o procedimento combinado, suplementado por algum tipo de fixação interna.
O paciente ideal é o adulto jovem com apenas uma articulação comprometida, que prefere um estilo de vida ativo, com joelhos e coluna normais, em que osteotomias não estão indicadas. A indicação + comum é artrite pós-traumática ou infecciosa.
Posição: o quadril deve ficar em uma posição 30º flexão, adução 0 a 5º , 0-15graus; de rotação externa. O grau de flexão é controverso, devendo ficar entre 20 e 40graus;. A marcha após a artrodese fica assimétrica, com aumento da fase de balanço e diminuição da fase de apoio no lado artrodesado.


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Autor: Clone
Data: 24/2/2020, 10:18
Tipo do Texto: Desvios rotacionais e marcha
Categoria: Quadril
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