Traumatologia e Ortopedia
Discussão de casos, questões e dúvidas em tratamentos, com dicas de prova para o TEOT.

 
[KB] Artroplastia de quadril


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marcio
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[KB] Artroplastia de quadril
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PostPosted: 27/10/2013, 21:16 Rate Post

Categoria: Quadril (3)
Article Type: Desvios rotacionais e marcha

Article Name: Artroplastia de quadril
Autor: Clone
Description: e artrodese

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PostPosted: 28/10/2013, 16:10 Rate Post

INFECÇÃO PÓS-ATQ

1.) DEFINIÇÃO
- Complicação catastrófica pós-operatória da artroplastia do quadril

2.) EPIDEMIOLOGIA
- Aproximadamente 1% das ATQ atualmente
- mortalidade relatada de 7 a 62%
- incidência mais alta relacionada a alguns fatores:
- diabetes
- artrite reumatóide
- doença falciforme
- psoríase
- drogas imunossupressoras ou esteróides
- período de hospitalização pré-operatório prolongado
- tempo operatório prolongado
- cirurgia prévia do quadril com e sem infecção
- infecção do trato urinário
- necrose da pele e hematoma pós-operatório

3.) FISIOPATOLOGIA
- A grande massa de material estranho inclusa, grande espaço morto deixado na ferida, mobilidade da articulação, pacientes mais velhos ou debilitados
- crescimento das bactérias no biofilme sobre os biomateriais permanecendo protegidas das defesas do hospedeiro e dos antibióticos
- prevenção é essencial com procedimentos quanto:
- seleção dos pacientes
- ambiente da sala de operações
- técnica cirúrgica
- profilaxia antibiótica por 48hs(mais importante)
- maioria das infecções provocada por Gram positivos: S.aureus e S.epidermidis, cuja virulência têm aumentado com o tempo
- Gram negativos encontrados nas infecções hematogênicas especialmente provenientes do trato urinário
- infecções mistas: relacionadas à formação de fístula com drenagem

4.) CLASSIFICAÇÃO
- Fitzgerald dividiu em três fases, baseadas no período do início dos sintomas e causa clínica da infecção
Code:
-   Classificação de Fitzgerald
-   Estágio I: infecção pós operatória aguda
-   Febre, dor, edema e ↑ do calor no quadril   -   Frequentemente há drenagem espontânea
-   Deve-se fazer a limpeza até o plano da infecção
-   Se profunda: luxar o quadril, testar a estabilidade dos componentes e troca do polietileno
-   Estágio II: infecção profunda, indolente, que se manifesta de 6-24 meses da cirurgia
-   Quadro clínico agudo e fulminante ou indolente com febre baixa
-   PCR ↑   -   Soltura dos componentes ao RX
-   Na maioria dos doentes, deve-se remover os implantes
-   Estágio III: > 2 anos em quadril previamente assintomático
-   Geralmente hematogênica   -   Geralmente necessita da remoção dos componentes

FASE I (Infecção Pós-operatória Aguda):
- ocorrem freqüentemente dentro das primeiras 12 semanas (até 6 meses) e usualmente são agudas
- QC: temperatura elevada, quadril doloroso à mobilização e em repouso, eritematoso e às vezes drena espontaneamente
- principal dilema: se é superficial, limitada aos tecidos moles, ou profunda, chegando até a articulação do quadril
- VHS pode estar elevado mas não é específico
- exames de sangue podem ser normais
- radiografias geralmente negativas
- cintilografia com tecnécio tem pouco valor
- cintilografia com gálio ou índio pode ser útil para identificar infecção, mas não ajuda a determinar se ela é profunda à fáscia
- se for considerada superficial pré-operatoriamente, ela não é aspirada para evitar contaminação. Deve-se levar o paciente o mais rápido possível à sala de operações abrindo-se a ferida até a fáscia profunda para determinar se a infecção estende-se abaixo dela e para dentro da articulação do quadril
- em caso de dúvida, aspira-se a articulação do quadril
- se de fato superficial: irrigação com solução fisiológica e antibióticos, e excisão de pele e subcutâneo necróticos
- se profunda: desbridamento e irrigação com quadril luxado. Implantes devem ser testados quanto à estabilidade e devem ser deixados in situ somente se não houver evidência de soltura
- colher culturas
- administrar antibióticos apropriados, conforme cultura e antibiograma, intravenosamente por 4 a 6 semanas
- prognóstico reservado, pois infecção pode estender-se profunda à fáscia

FASE II (Infecção Retardada Profunda, Subaguda):
- Ocorrem 6 a 24 meses após a cirurgia
- podem ser agudas e fulminantes ou de baixo grau e indolentes
- QC nas indolentes:
- dor inexplicada persistente desde época da cirurgia
- pode haver histórico de infecção (pulmonar, ITU, pele) que precedeu sintomas do quadril, mas não está mais presente, ou drenagem persistente da ferida ou cicatrização demorada
- mobilização da articulação pode ser muito dolorosa devido à soltura dos componentes
- dor em repouso ou ao sustentar peso
- raramente a dor é grave
- febre pode estar ausente ou ser branda
- leucograma pode ser normal ou moderadamente elevado
- VHS pode não estar elevada
- PCR pode ser mais precisa
- Radiografias:
- revistas quanto à soltura dos componentes
- suspeita de infecção quando há um padrão rendilhado de formação de osso novo ou padrão festonado localizado de erosão óssea endosteal ou desenvolvimento de radiotransparências progressivas precoces na evolução pós-operatória
- estes achados não distinguem soltura asséptica e séptica
- formação de osso novo periostal sugere infecção, mas é achado incomum
- Cintilografias: com leucócitos marcados com índio são mais eficazes ao prever infecção (88%) do que tecnécio e gálio (62%)
- Se histórico, radiografias ou estudos laboratoriais indicarem infecção, o quadril é aspirado para estabelecer diagnóstico e obter
Culturas
- Na maioria dos pacientes há necessidade de remoção do implante
- O tecido de granulação e todo o cimento devem ser removidos (pois podem causar recorrência da infecção)
- Podem ser usadas pérolas de metacrilato impregnadas de antibiótico
FASE III (Infecção Hematogênica Tardia-Crônica):
- O quadril torna-se agudamente doloroso 2 anos ou mais após a cirurgia
- Alguns pacientes não têm histórico sugestivo de sepse perioperatória
- A infecção pode ter sido causada por disseminação hematogênica a partir de fonte remota (extração de dente infectado, infecção respiratória, geniturinária ou cutânea)
- QC: dor ao sustentar peso, ao mover o quadril ou em repouso é o principal sintoma. Pode estar febril ou com contagem de leucócitos elevada. VHS e PCR estão usualmente elevados
- Achados radiográficos e cintilográficos são semelhantes às da fase II
- Diagnóstico estabelecido pela aspiração e culturas
- Se infecção hematogênica tardia confirmada, o tratamento é o mesmo que para infecção profunda retardada: desbridamento, remoção dos componentes e do cimento e administração intravenosa de antibióticos

RECONSTRUÇÃO APÓS INFECÇÃO
- A maioria dos pacientes tem alívio imediato da dor severa causada pela infecção
- muitos evoluem com instabilidade do quadril, apresentando alguma dor e 60 a 90º de flexão ativa
- resultados da artroplastia de ressecção insatisfatórios em pacientes jovens, mulheres, aqueles que têm pouca mobilidade residual e aqueles com ressecção mais extensa de osso do fêmur proximal
- apesar de a reimplantação ser recomendada apenas para pacientes com suficiente dor e incapacidade como resultado do encurtamento e instabilidade, a maioria não se dispõe a viver com as restrições de uma artroplastia de ressecção
- fatores a ser considerados antes da reconstrução: comprometimento funcional do paciente, organismos infectantes, adequação do desbridamento, controle dos lugares de infecção locais e distantes
- reconstrução pode ser feita em uma ou duas etapas, sendo a última a preferida dos cirurgiões devido a taxas mais baixas de infecção recorrente
- pode ser deixado espaçador de cimento ou prótese de cimento acrílico carregados de antibiótico no momento do desbridamento inicial, mantendo o comprimento e melhora do controle do membro e mobilização
- são deixados antibióticos parenterais por 6 semanas
- a reconstrução pode ser feita em 3 meses no caso de organismo de baixa virulência, mas se infecção altamente virulenta ou polimicrobiana, retarda-se a reimplantação por 1 ano
- desarticulação pode estar indicada, em casos raros, como medida de preservação da vida em casos de infecção incontrolável ou complicações vasculares

- Osteólise: fazer acompanhamento mais próximo
- Componentes soltos ou osteólise muito grande ou progressiva são indicações para revisão

Revisão de ATQ
- Indicação
- Infecção
- Tratamento de fratura peri-protética
- Soltura asséptica dolorosa - Perda óssea progressiva
- Fratura ou falha mecânica do implante
- Luxação recorrente ou irredutível
- Dor: procurar outras causas antes da revisão
- É necessário garantir que dor não seja por infecção
- Considerar tratamento da dor por outros meios se for possível evitar a revisão
- Se doente em estado geral precário, considerar Girdlestone
- Retirada do cimento
- Diversos métodos: osteotomia extendida, kits de retirada, etc
- Se necessário fazer orifícios no fêmur, dar preferência para os da porção anterior e com distância de 5 cm entre eles

Deficiências acetabulares

- Revisão cimentada: altas taxas de soltura e migração do componente
- Não cimentadas: resultados bons com prazo intermediário
- Tipos de deficiências
- Contidas: associadas a doenças inflamatórias, doenças metabólicas, tumores, infecção, trauma, osteoartrose, cirurgia prévia e iatrogênica
- Periféricas
- AAOS (American Academy of Orthopaedic Surgeons)
- Objetivos da reconstrução: restaurar o centro de rotação original, estabilidade do implante, restaurar a integridade acetabular e a continuidade do acetábulo
Code:
-   Classificação AAOS
-   Tipo I: Deficiências segmentares (não contidos)
-   Periféricas: superior, anterior, posterior
-   Central: ausência de parede medial (violação da parede medial)
-   Tipo II: Deficiências cavitárias (defeitos volumétricos com a borda intacta)
-   Periféricas: superior, anterior, posterior
-   Central: parede medial intacta (protrusão acetabular)
-   Tipo III: Deficiências combinadas
-   Tipo IV: Descontinuidade pélvica
-   Defeito das colunas anterior e posterior com separação da porção superior da inferior do acetábulo
-   Tipo V: Artrodese

- Conduta
- Defeitos cavitários: mais fáceis de resolver
- Se pequenos: colocar componente maior - Se grandes: enxerto autólogo ou aloenxerto
- Superior e central grande: mais enxerto, ocasionalmente estruturado, de banco de osso
- Defeitos segmentares
- Segmentar anterior geralmente não necessita de reconstrução
- Segmentar central pode ser tratado como cavitário
- Isolado superior: alguns podem ser tratados com prótese oblonga
- Defeito superior ou posterior grande:
- Aloenxerto estruturado se implante necessitasse ficar > 2,5 superior ao normal
- Descontinuidade pélvica: reconstrução com reforço acetabular

- Classificação de Paprosky -> http://traumatologiaeortopedia.com/album_showpage.php?full=&pic_id=783
- Critérios para classificação: quantidade da migração da taça acetabular, quantidade de lise isquiática, grau de lise da lágrima e integridade da linha de Köhler
- Correlação clínica dos parâmetros
- Se migração < 2 cm: domo superior intacto
- Osteólise do ísquio: deficiência da parede posterior
- Osteólise da lágrima: deficiência da parede medial
- Violação da linha de Köhler: deficiência da coluna anterior
- Classificação
- Tipo 1: borda acetabular intacta, sem migração do componente
- Somente osteólise localizada
- Tipo 2: < 2 cm migração
- 2A: Superomedial: perda da borda superior sem contato da prótese superiormente
- 2B: Superolateral: perda da borda superior e do domo acetabular
- colunas dão suporte
- 2C: Migração medial pela perda da parede medial
- Tipo 3: > 2 cm migração
- Colunas não são adequadas para suporte de componente sem cimento
- Subdividido pela integridade da parede media, sel pode suportar a prótese e a quantidade de osso disponível para a fixação
- 3A: parede medial presente
- lágrima intacta - linha de Köhler intacta
- 50-70% do osso hospedeiro disponível para fixação
- 3B: defeito sem parede medial, confirmada por obliteração da lágrima, lise isquiática grave, violação da linha de Köhler e < 50% de osso hospedeiro disponível para fixação da prótese

- Formas de revisão com falhas acetabulares
- Componente sem cimento fixado com parafusos
- Taça Jumbo: abaixa o centro de rotação para situação mais anatômica
- Necessita da integridade da coluna posterior
- High Hip Center
- Recolocação superior: componente pequeno, superiormente ao centro original, sem lateralização
- Recolocação superolateral: ↑ a força no quadril e risco de soltura
- Reforço acetabular com enxerto ósseo
- Somente para doentes com expectativa limitada e pouco estoque ósseo, para quem outros procedimentos maiores não seriam uma boa escolha
- Componente duplo, oblongo: técnica sem cimento que restaura o centro de rotação original
- Enxerto de banco de osso estruturado

Deficiências femorais

Code:
-   Classificação AAOS
-   Nível
-   Nível I: Proximal à porção inferior do trocanter menor
-   Nível II: da porção inferior do trocanter menor até 10 cm distal
-   Nível III: distal ao nível II

- Tipo I: Segmentar: perda de osso cortical de suporte
- Pode-se localizar anteriormente, medialmente ou posteriormente em cada um dos níveis
- Na revisão, usar haste 2/3 do diâmetro do osso, distante do defeito
- Se defeito < 30%, redução na força não é importante: pode usar enxerto esponjoso
- Para defeitos maiores, usar enxerto estruturado
- Haste deve ser fixa 5 cm distal ao defeito
- Proximal
- Parcial - Completa
- Intercalar: perfuração única com córtex femoral proximal e distal normal
- Esponjoso - Cortical
- Ectasia: fêmur dilatado somado a perda de osso esponjoso e afilamento cortical
- Trocanter maior
- Tipo II: Cavitária: deficiência de osso esponjoso com escavação do osso cortical endosteal
- É o defeito mais encontrado
- Defeitos pequenos: pode-se usar haste não cimentada + enxerto particulado
- Defeito grande com discrepância entre a região proximal e a distal
- Fresamento maior do canal para colocar implante maior
- Uso de haste modular - Uso de enxerto impactado + haste com cimento
- Uso de hastes de fixação distal + enxerto proximal
- Tipo III: Combinada segmentar e cavitária
- Pode ser causado por osteólise, fratura da haste, perfuração iatrogênica, soltura prolongada
- Tipo IV: Mal alinhamento
- Rotacional - Angular
- Tipo V: Estenose: definida como estreitamento maior ao do ístimo
- Tipo VI: Descontinuidade: fratura atual ou antiga com pseudoartrose
Code:
-   Classificação de Paprosky
-   Tipo 1: Perda óssea metafisária e diafisária mínima
-   Tipo 2A: Calcar ausente extendendo logo abaixo da linha intertrocantérica
-   Tipo 2B: Perda óssea metafisária anterolateral
-   Tipo 2C: Calcar ausente com perda óssea metafisária posteromedial
-   Tipo 3A: 2A + perda óssea diafisária
-   Tipo 3B: 2B + perda óssea diafisária
-   Tipo 3C: 2C + perda óssea diafisária



Hemiartroplastia do quadril

- Três desenhos básicos: unipolar, bipolar e trunnion
- Deve ter cabeça com dimensão adequada ao acetábulo
- Torque friccional e pressão estática mais alta
- Se cabeça > 3 mm do ideal: contato equatorial
- Se cabeça < 3 mm do ideal: contato no teto
- Unipolar
- Desvantagem: não é modular
- Difícil ter prótese com tamanho ideal da cabeça e da haste femoral
- Possibilidade de desgaste mais precoce da cartilagem
- Vantagem: menor custo e mais fácil de recolocar se houver luxação
- Bipolar: alguns estudos demonstram desgaste articular semelhante quando comparado a unipolar
- Vantagens
- Modular: preenchimento melhor do canal femoral
- Maior facilidade para conversão para ATQ com manutenção da haste femoral
- Mobilidade entre os componentes reduziria o movimento entre o metal externo e o acetábulo
- Alguns estudos demonstram perda da mobilidade do componente interno após poucos meses
- Desvantagens: maior risco de luxação
- Indicações
- Doença com dor no quadril e cartilagem acetabular íntegra
- Fratura do colo femoral
- com falha da fixação interna ou em idosos
- incidência de complicações aumenta com o desvio nos idosos
- Garden I e II: 16% ONCF Ficat 3
- Garden III e IV: 28% ONCF Ficat 3
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Re: [KB] Artroplastia de quadril
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PostPosted: 22/4/2014, 10:52 Rate Post

Problemas cirúrgicos associados a doenças específicas
- Artrite reumatóide: avaliação cervical para instabilidade deve ser feita no pré-operatório
- Corticoesteróides podem ser necessários no antes, no intra e pós-operatório
- Protrusão acetabular
- Pode ser primária ou secundária
- Primária: Otto pélvis
- Geralmente bilateral, em mulheres jovens - Pode ser causa de limitação de ADM e dor
- Secundária:
- migração de artroplastia, artrite séptica, fratura luxação central
- Paget, síndrome de Marfan, artrite reumatóide, espondilite anquilosante, osteomalácia
- Característica radiográfica: medianização da cabeça femoral além da linha de Köhler (ilioisquiática)
- Deformidade pode progredir até o trocanter maior bater na pelve
- Geralmente há deformidade em varo do colo femoral
- Princípios para reconstrução
- Centro de rotação na localização anatômica
- Borda periférica intacta do acetábulo deve ser usada para estabilizar o componente
- Defeito segmentar e cavitário remanescente deve ser reconstruído com enxerto
- Displasia do desenvolvimento do quadril: procurar colocar a prótese no acetábulo verdadeiro
- Redução pode ser difícil pelo encurtamento de partes moles
- Osteotomia femoral prévia
- Se deformidade angular significativa ou translação > 50%, fazer nova osteotomia

Complicações das ATQs

- Luxação
- Fatores de risco
- Avulsão ou não união do trocanter maior
- Cirurgia prévia no quadril - Via posterior
- Impacto - Tensão ruim das partes moles
- Abdutores fracos
- Mal posicionamento dos componentes
- Anteversão excessiva: luxação com rotação externa, abdução e extensão
- Retroversão excessiva: luxação com rotação interna, flexão e adução
- Vertical: com adução
- Horizontal: impacto com flexão  luxação posterior
- < 3 meses: maioria
- mal posicionamento do quadril antes do controle da força muscular e cicatrização
- > 3 meses: maior risco de recorrência (44%)
- melhora da ADM com manifestação do impacto
- Conduta
- Se componentes em posição adequada
- Redução incruenta + repouso com abdução, tração ou imobilização com gesso
- 15º abdução, prevenir flexão acima de 60º
- Imobilização deve durar de 6 semanas a 3 meses
- Um ou 2 componentes mal posicionados e luxação recorrente  cirurgia de revisão
- Mal posicionamento < 10º do acetábulo pode ser corrigido com polietileno com borda elevada
- Colo curto pode necessitar de troca da cabeça femoral
- Sem mal posicionamento e sem impacto: considerar avanço do trocanter maior
- Se instabilidade associada a déficit neurológico: considerar troca por bipolar ou componente constrito

- Fratura
- Intra-operatória

Code:
-   Classificação de Mallory, Krause e Vollen
-   Tipo I: área do trocanter menor e calcar
-   Tipo II: até 4 cm proximal a ponta da prótese   -   Tipo III: distal ao tipo II
-   Conduta: tipo I e II: cerclagem; tipo III: prótese mais longa


- Fratura peri-protética

Code:
-   Classificação Vancouver - Duncan
-   Tipo A: Região trocantérica
-   Ag: trocanter maior   -   Al: trocanter menor
-   Conduta: maioria pode ser tratada conservadoramente com repouso
-   Tipo B: ao redor ou logo distal à haste
-   B1: prótese estável
-   Redução aberta e fixação interna   -   Fixação com placa é a mais indicada
-   B2: prótese instável  Revisão com componente longo
-   B3: estoque ósseo inadequado
-   Não pode ser tratada com redução aberta e fixação interna e nem com componente maior
-   Usar endoprótese ou enxerto de banco
-   Mais comuns e mais problemáticas
-   Tipo C: bem abaixo da haste
-   Fixada com técnica convencional


- Pseudoartrose do trocanter e migração: união fibrosa estável geralmente não tem sintomas associados
- Migração > 2 cm:
- ↓ da alavanca do mecanismo abdutor - 50% Trendelenburg (+) - 17,6%: luxação
- Tratamento cirúrgico: dor ou perda grave do mecanismo abdutor

Complicações Precoces

Mortalidade: 10 a 41%. A mortalidade dos pacientes submetidos a artroplastia por fratura do colo femoral é nitidamente mais alta do que nos pacientes submetidos a reconstrução eletiva.

- Mortalidade: precoce (90 dias) 2,5x maior que tardia
- Causas: ICO, TVP
- Complicações pulmonares
- Atelectasia: causa mais comum de febre pós-operatória dentro de 24-48 horas
- Edema pulmonar: cardiogênico ou não cardiogênico (SARA) - Pneumonia
- TEP
- Cardíacas
- Problemas relacionados ao polimetilmetacrilato (PMMA)
- Hipotensão: de 33%-100% - Provavelmente pela embolização do conteúdo medular
- Lavagem do canal reduz o efeito da embolização

Fratura do fêmur: 4,5%. A fratura geralmente ocorre no momento da redução da prótese. Tipo I: fraturas comprometendo o trocanter. Tipo II: fraturas ocorrendo na parte da diáfise femoral protegida pela prótese intramedular. Tipo III: fraturas distais à extremidade da prótese.

Luxação: pode ser causada por: demasiada anteversão ou retroversão da prótese; capsulectomia posterior; excessiva flexão ou rotação pós-operatórias com o quadril aduzido; infecção.

Infecção: 2 a 20%. A infecção após uma substituição protética resulta em uma taxa de mortalidade extremamente alta.

- Ferida
- Secreção
- Infecção
- Precoce ou fase I: ≤ 1 mês de cirurgia
- Aguda, secreção purulenta, eritema, calor e edema, febre
- Superficial: superficial à fáscia lata
- Desbridamento + ATB
- Profunda
- Desbridamento com luxação do quadril, troca do polietileno e manutenção dos componentes
- Critérios para manutenção dos componentes
- Infecção < 3-4 semanas
- Bactéria gram (+) sensíveis aos antibióticos e componente fixo
- Componente sem cimento: risco maior de mau resultado após limpeza

- Lesão vascular

- Lesão neurológica
- Nervo ciático: mais lesado
- Geralmente por aumento de tamanho do membro (mais grave que lesão direta)
- Risco maior se aumento > 4 cm
- Nervo femoral: geralmente por afastador
- Instabilidade precoce: quadril que desloca até 3 meses da cirurgia
- Geralmente resulta de frouxidão de partes moles antes da cicatrização da pseudocápsula
- Fatores que influenciam na instabilidade precoce
- Via de acesso: posterior 2-3x > anterior - Offset baixo - Orientação da taça acetabular


Complicações Tardias

Dor:
A principal complicação tardia.
Pode estar presente sem alteração radiológica ou pode associar-se com afrouxamento ou com migração distal ou proximal da prótese.
Outras causas de dor: infecção e erosão da cartilagem acetabular.
Se os sinais e sintomas clínicos forem importantes e estiver presentes afrouxamento ou migração, pode estar indicada a revisão para artroplastia total de quadril. Antes da revisão, infecção deve ser afastada.

Ossificação heterotópica:
25 a 40%.
Na maioria dos casos, a ossificação é mínima e não interfere na função do quadril.
No caso incomum no qual a movimentação do quadril é acentuadamente restrita, a excisão cirúrgica da ossificação pode ser considerada.

- Calcificação heterotópica
- História prévia de calcificação heterotópica ↑ risco na cirurgia contra-lateral em até 90%
- Outros riscos: espondilite anquilosante, osteoartrose hipertrófica ou hiperostose idiopática difusa, antecedente de fratura de acetábulo, sexo masculino, idade avançada
- Fatores técnicos: via de acesso, osteotomia trocantérica, fratura femoral, tempo cirúrgico prolongado, anestesia, hematoma pós-operatório, luxação, infecção, método de fixação do componente

Code:
-   Classificação de Brooker para ossificação heterotópica
-   Grau I: ilhas isoladas de osso nas partes moles
-   Grau II: exostose estende-se da pelve, fêmur, ou ambos, com separação de > 1 cm
-   Grau III: exostoses separadas por < 1 cm
-   Grau IV: anquilose do quadril


- Tratamento: se necessário, fazer ressecção
- Ressecção: deve ser indicada somente quando ossificação for madura (6-12 meses)
- Maturidade: RX, fosfatase alcalina

- Fratura por estresse

- Instabilidade tardia
- Maioria das instabilidades são precoces - Se luxação > 5 semanas: alto risco de recorrência

- Soltura femoral
- Sinais sugestivos ou diagnósticos
- Fratura da haste
- Mudança da posição do componente - Fratura do cimento (geralmente próximo à ponta)
- Áreas de rarefação ou fragmentação do cimento
- Radioluscência entre o manto de cimento e o osso
- Radioluscência entre o 1/3 supero medial da haste e o manto de cimento
- Migração do manto e da haste ou migração da haste no cimento

Quote:
- Zonas de Gruen -> http://traumatologiaeortopedia.com/album_thumbnail.php?pic_id=782
- Avaliar a estabilidade do componente femoral
- Zona I: 1/3 proximal lateral
- Zona II: 1/3 médio lateral
- Zona III: 1/3 distal lateral
- Zona IV: distal à haste - Zona V: 1/3 distal medial
- Zona VI: 1/3 médio lateral
- Zona VII: 1/3 proximal


Quote:
- Mecanismos de Gruen de soltura nas cimentadas (nas imagens do tópico)

- Modo I: Pistonagem
- Ia: descida da haste no manto de cimento
- Linha radioluscente entre a haste e o cimento na porção supero medial
- Ib: descida do cimento e manto no fêmur
- Zona radioluscente em todo o manto de cimento
- Geralmente halo de esclerose no fêmur, ao redor há haste

- Modo II: Pivot medial da haste
- Migração proximal medial e na ponta distal, lateral
- Resulta de suporte superomedial e inferomedial do cimento inadequado
- Pode causar uma fratura do cimento na ½ da haste ou do osso esclerótico na ponta da haste

- Modo III: Pivot no calcar
- Falta de suporte na ponta distal da haste
- Porção proximal apóia no calcar e o movimento da haste na porção distal leva a esclerose lateral e medial

- Modo IV: entortamento cantilever
- Causado pela perda proximal de suporte da haste enquanto a porção distal está fixa
- Ocorre deformação proximal da haste com linhas de radioluscência e fadiga


- Componentes femorais cimentados

Code:
-   Classificação de Engh, Bobyn
-   Tipo I: crescimento ósseo
-   Sem migração, sem formação de linha rádio opaca ao redor da haste
-   Maior parte da interface osso-implante parece estável
-   Pode ter hipertrofia cortical na ponta da haste (spot welds)
-   Tipo II: fixação fibrosa estável
-   Sem migração mas com linha rádio opaca extensa ao redor da haste separadas em 1 mm
-   Sem spot welds
-   Tipo III: instável
-   Sinais de migração progressiva no canal
-   Parcialmente envolvido por linhas rádio opacas divergentes


- Soltura acetabular:
- Diferente do fêmur, soltura raramente ocorre na interface cimento-componente
- Geralmente é biológica
- Sinais radiológicos de soltura nas cimentadas
- Absorção óssea ao redor de parte ou de todo o manto de cimento e aumento da largura da área de absorção
- Especialmente significante se > 2 mm e progressiva > 6 meses PO
- Migração superior ou medial e protrusão do manto de cimento e taça na pelve
- Fratura medial do acetábulo - Mudança no ângulo de inclinação
- Fratura da taça e cimento
- Radioluscência de até 2 cm de largura com ou sem linha fina densa que pode se desenvolver em uma ou mais zonas de DeLee
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Last edited by Dublê on 22/4/2014, 10:54; edited 1 time in total
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Re: [KB] Artroplastia de quadril
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PostPosted: 16/8/2015, 11:02 Rate Post

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